4.1.4 Análise da aplicação das melhores práticas

Passaremos agora a analisar a execução do Portal de serviços em relação a cada uma das melhores práticas de desenvolvimento de serviços digitais levantadas e apresentadas no Quadro 4:

Desenvolvimento ágil e iterativo: Apesar das dificuldades de se implementar uma entrega contínua, com ciclos curtos de desenvolvimento, o projeto conseguiu, com sucesso, implementar uma dinâmica de desenvolvimento ágil e iterativa, com entregas rápidas e frequentes, e revisão constante do escopo;

Contratos: Apesar de não estar explicitado no contrato, a equipe de desenvolvimento se preocupou com o projeto como um todo, se esforçando para trabalhar em conjunto com a equipe de infraestrutura para garantir o bom funcionamento do serviço;

Posicionamento da área de TI: Neste caso, a área de TI era também a área demandante. De qualquer forma, se posicionou como ator estratégico na elaboração do produto;

Formação de equipe: O processo seletivo da empresa nitidamente privilegiou a experiência da equipe e o know-how dela em trabalhar com metodologias ágeis em detrimento de outros fatore, em especial, o preço.

Foco no usuário: Houve, sim, uma preocupação constante em colocar o cidadão como principal cliente do projeto, ao mesmo tempo em que se procurava atender as expectativas de todos os stakeholders;

Decisões: Houve uma preocupação grande em manter o escopo flexível, justamente para que as decisões fossem tomadas a partir da experimentação de hipóteses; O uso de dados estatísticos não foi tão intenso como poderia;

Contexto do serviço: Do ponto de vista do desenvolvimento de software, houve esta preocupação, porém, do ponto de vista do serviço como um todo, no que diz respeito especialmente a construção do conteúdo do catálogo de serviços e a divisão de responsabilidades com os órgãos responsáveis pelos serviços, ainda há muito o que avançar, já que cada serviço está dentro de sua própria lógica e ainda não há um esforço realmente coordenado de todas as áreas;

Abertura do código-fonte: o código foi desenvolvido, desde o início, de maneira totalmente aberta, em repositórios públicos. Formiga avaliou isso como uma grande vantagem estratégica do projeto: “O fato do código ter sido desenvolvido no modelo aberto, permite que a gente possa continuar exercitando hipóteses mesmo tendo terminado o contrato com a empresa. Então a cultura que é gerada neste modelo é muito positiva, porque a gente não fica amarrado a empresa1.”

Governo como plataforma: O projeto não implementou funcionalidades neste sentido;

Liderança: A gestão do projeto teve claramente uma postura orientada ao serviço, e não ao contrato.

Neste primeiro estudo de caso tivemos contato com uma experiência que procurou desenvolver um projeto de serviço digital totalmente baseado em uma abordagem enxuta e ágil. Vimos como a relação entre cliente e fornecedor foi modificada e como, a partir de iterações curtas e constantes, conseguiram atingir resultados rápidos e de qualidade. Tomamos contato, também, com as dificuldades enfrentadas para se adotar as melhores práticas de desenvolvimento, como a relação com a equipe de infraestrutura e a falta de diálogo com gestores de outros órgãos, que tinham seus serviços listados no portal.

Passaremos agora a estudar nosso segundo caso, da criação do Ateliê de software do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

1Entrevista com integrantes do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão disponível no ANEXO D.

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