Sobre a extinção do MinC

Um esclarecimento que vale fazer. O Ministério da Cultura não é para os artistas. Nem mesmo para os ‘fazedores de cultura’ ou para as pessoas que trabalham com a cultura.

O Ministério da Cultura é para toda a sociedade, assim como o Ministério da Saúde não é para os médicos e o Ministério da Educação não é para os professores. (essa metáfora não é minha mas não sei de quem é)

A confusão é compreensível, já que a noção de direitos culturais é nova, e a política pública de cultura para promover esses direitos mais nova ainda. Data, precisamente, de 2003, quando o MinC deixou de ser um balcão de projetos para artistas e passou a servir a sociedade de maneira mais ampla.

As críticas ao MinC e à ‘classe artística’ que o defende é uma crítica voltada ao MinC do século passado. Ou seja, não querem só acabar com o MinC, querem tranformá-lo no que ele era nos anos 90 para, depois, acabar com ele.

O papel da cultura, e da promoção dos direitos culturais, é fundamental para a evolução da civilização. Não é a toa que os artistas se mobilizam tanto. Historicamente a arte tem esse papel, de quebrar a normalidade e apontar os caminhos para o futuro.

Todas as crises que vivemos só serão superadas se abordadas do seu ponto de vista cultural. A crise política é cultural, a crise ambiental é, também, cultural, a intolerância com as diferenças é uma questão cultural. Até a crise econômica tem uma dimensão essencial que é cultural.

Estamos no século XXI, temos ferramentas do século XXI para enfrentar esses problemas, mas ainda estamos, em grande medida, presos a cultura do século XIX e, por isso, não avançamos.

E pra quem cita países desenvolvidos que não tem Ministério da Cultura, pode crer que eles gostariam de ter e invejam o Brasil por isso.

Sobre a extinção do MinC