As capas animadas do iTunes trazem de volta a aura do álbum

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Só queria fazer um breve comentário sobre essa nova característica do itunes, que permite que vc navegue nas suas músicas como quem folheia as páginas de uma revista.

A primeira vez que vi isso foi numa apresentação do iPhone. Acho que todo mundo ficou muito impressionado quando viu isso, principalemente pela gestualidade que o iPhone proporcionava.

Mas o que quero comentar aqui é algo muito concreto. De uns tempos pra cá, pelo menos meia dúzia de amigos meus me mostraram orgulhosos sua coleção de álbuns, exibindo todas as capas deslizando elegantemente pra lá e pra cá. Um deles gastou meses para conseguir organizar sua coleção e achar todas as capas que não tinha.

Não são mais pastas e arquivos gravados em um HD dentro do computador. São álbuns! E carregam (quase) tudo o que os ábluns têm: uma associação histórica entre as músicas, uma arte gráfica, um contexto…

Desde os tempos do LP que os álbuns são objetos muito valiosos para os fãs de música. Com a revolução do mp3 e dos mp3 players, muita gente ficou assustada com a possibilidade de o álbum desaparecer. Dando lugar a uma infinidade de faixas que poderiam ser organizadas conforme o gosto de qualquer um – e apenas isso.

É natural ver como, apesar da dispersão da internet, informação organizada e contextualizada como os álbuns tenham crescente valor. Basta perceber o crescimento dos downloads de música a partir de blogs que disponibizam álbuns completos. Na rotina de muitas pessoas, inclusive da minha, esses downloads de música via web superaram o p2p.

Sou bastante crítico em relação ao fetiche vazio e desinformado que muitas pessoas tem em relação a um Macintosh, por isso algumas pessoas podem estranhar um post meu louvando mais uma coisa bonitinha que a Apple faz. Mas não se trata disso. Se trata de um estilo de interface, que logo vai ser aprimorado e aperfeiçoado por todo mundo. E o que mais me interessa é a mudança que isso traz pro comportamento das pessoas.

Particularmente eu me sinto um pouco aliviado. Fico aqui olhando pra minha prateleira cheia de CDs praticamente intocados há tempos, acumulando poeira e fico angustiado: “o que fazer com eles? já que tenho todas as músicas no computador…”. E ainda assim compro mais CDS sempre que vou a um show de uma banda que gosto.

Então, como dizia, me sinto aliviado, pois vejo que uma coisa não exclui mais a outra. O fato de eu só ouvir músicas no computador não acaba com minha relação afetiva com os álbuns. Eu quase que ainda posso pegá-los! Não acaba também com o impacto visual que uma coleção grande de álbuns tem e a possibilidade de “folheá-los” um a um, como se faz com uma prateleira de LPs, pinçando álbum por álbum, vendo sua capa, puxando um ou outro para ver o verso… É a volta do gesto. Tudo isso é muito bom.

Longa vida ao álbum.

Leo,,

As capas animadas do iTunes trazem de volta a aura do álbum

O CD é um pãozinho

Cena real: Dois sócios de uma recém formada editora fonográfica vão conversar com seu novo contador para tirar dúvidas referentes a gestão de sua empresa. Comércio eletrônico, repasse de dinheiro a artistas, etc.

pao.jpg“Queremos poder vender CDs pela internet, e também em shows e lojas”, dizem eles, mas logo completam que “na verdade, não esperamos ganhar dinheiro com isso. E, no site, as músicas estarão de graça para download.”

Isso me remete a outra imagem, a do dono de uma padaria, que não espera ganhar dinheiro pela venda de pães, apesar de esse ser o produto que dá nome ao seu negócio.
E o que move então a dupla de empreendedores, já que eles não podem vender X-Salada ou vitamina mista? Como esperam ganhar dinheiro com isso? Esperam?

Neste caso específico, vemos uma situação que pode se tornar mais frequente. Esses dois sócios não são executivos ou burocratas, são músicos, e buscam maneiras de ganhar um trocado não como editores, mas como músicos. A editra / selo / net-label passa a ser uma ferramenta dos próprios músicos para promoverem seus trabalhos e para buscar alternativas viáveis de ganhar dinheiro com música.

Além disso existe a força coletiva. A união de vários artistas sob alguma identidade e esforço conjunto facilitam a abertura dos canais necessários para que a música chegue aos ouvidos das pessoas.

E a música em si, o conjunto de bytes que fazem as caixas de som vibrarem, está disponível pra quem quiser a qualquer hora.

O Álbum físico, objeto de coleção, ainda existe. E está caprichado, bonito. Mas o que se ganha com sua venda é equivalente ao lucro do pãozinho da padaria que, no limite, apenas paga sua produção, mas é essencial para que as pessoas frequentem aquele lugar.

Leo,,

O CD é um pãozinho

É possível produzir cinema como se produz software livre?

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FIz essa pergunta pro Jorge Furtado uma vez, no FISL.
A resposta foi  bem interessante. Ele começou argumentando que o cinema, e todas as artes, era diferente. Que dependiam de um criador…. mas refletia que o software também dependia de um criador. E aos poucos foi vendo essas diferenças diminuirem até que…

… até que uma menina chata interrompeu o raciocínio dele pra perguntar se ele então não queria se debruçar melhor sobre o assunto pra conhecer mais sobre software livre e ele soltou: “eu não.. tenho coisa muito melhor pra fazer, como acabar de ler a obra de Borges por exemplo”. Ótimo.

Leo,,

É possível produzir cinema como se produz software livre?

Mesa Multitoque 3D

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E por falar em traquitana, me liguei que não tinha postado por aqui uma das mais legais. Essa é uma mesa multitoque que montei com os parceiros palm, CHGP, jean e Gelo. Fizemos tudo apenas com software livre, usando a TouchLib e o Blender. Minha parte foi fazer o script em python dentro do blender para receber os sinais OSC e movimentar as coisas no ambiente 3D.
Foi um protótipo que construímos do zero em apenas uma semana (!!), por isso ainda precário. Infelizmente não continuamos com o projeto. Mas a experiência foi massa.

Leo,,

Mesa Multitoque 3D

Clipe Vitrola – prova de conceito

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Ideia que surgiu há mais de dois anos, foi se amadurecendo e coloquei em prática ano passado quando comecei a construir uma traquitana para um vídeo-clipe.

Ontem foi o dia do teste para saber se a traquitana funciona mesmo. E deu certo.

A ideia é criar a ilusão de que todo o ambiente está girando junto com um disco em uma vitrola.

Agora que o teste está feito, entramos em fase de roteiro e gravação logo mais.

Leo,,

Clipe Vitrola – prova de conceito

Re:combo

Há uns dias atrás foi anunciado o fim do coletivo Re:combo.

Quando eles começaram toda essa cultura da recombinação, copyleft e novas formas de direitos autorais ainda eram inscipientes, principalmente no Brasil. Creative Commons não existia.

Me lembro sempre do Caio Mariano falando da “síndrome de Alexandre Pires”, que era o receio de que uma música, como o Dragão Chinês, acabasse sendo tocada indiscriminadamente no Domingão do Faustão pelo Alexandre Pires.

Esse receio motivou a criação das licenças de uso do Re:combo. Uma delas, a de recombinação, que inspirou e deu nome a uma das licenças do Creative Commons.

Então, pra saudar a galera, ficamos ao som do Grande Dragão Chinês

Dragão Chinês
Leo,,

Re:combo