Parada para o almoço

Como a minha motoca já passou há muitos anos da garantia – ela é de 1973 – eu tenho que fazer visitas regulares ao mecânico, para apertar um parafuso aqui, trocar uma peça ali, e deixa-la pelo menos conseguindo me levar daqui pra lá.

motoca.jpgMas acontece que não é fácil ficar saindo do trabalho pra levar a moto lá, voltar a pé debaixo do sol, ou ficar muito tempo fora. Então, claro, penso em fazer isso na hora do almoço, porque entro cedo e, quando saio, a oficina já fechou.

Ilusão minha, porque na hora do almoço a oficina também fecha. Desabafei com o Gama: “po, esse cara fecha a oficina na hora do almoço, como é que eu vou conseguir levar a moto lá se é o único horário que tenho…?”, e ele, em tom de ironia: “é… é mesmo um absurdo o cara ir almoçar com a família e descansar um pouco depois de comer…”

Como eu sou paulista!

Excelência em serviço! Sacrifique tudo pelo bem estar do cliente… Pessoas estressadas tanto na posição de cliente (sempre reclamando do serviço) como na posição de fornecedor (tudo bem, eu como uma besteira qualquer na hora do almoço mas termino esse serviço) .

Me lembro como me incomoda quando presto serviço pra alguém e sou tratado como um produto, que tenho que ter dedicação total e aceitar todas as exigências e trocas de opiniões assumindo todas as responsabilidades e atrasos do prazo para mim…

E essa lógica de relação interpessoal que quero mudar, acaba se revelando dentro de mim naturalmente, quando reclamo do mecânico.

Galera, vamos almoçar com calma! Pára com isso! Seu bando de paulista….

Leo,,

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Parada para o almoço

Um salve a José Padilha

Mais um post em mais um blog falando sobre o Tropa de Elite.

Mas não é a toa que tá dando tanta repercussão. O filme é muito bom.

Eu me lembro da sensação que eu tive quando vi Cidade de Deus. Na época eu trabalhava em uma favela na Zona Leste de São Paulo, e fiquei com muita raiva do filme por fazer um bang-bang de entretenimento em cima de um tema tão sério. A simplificação dos personagens, a coisa tão bem definida que tem entre quem é do “bem” e do “mal” esteriotipava ainda mais a visão que se tinha da favela e, na minha visão, só aumentava o abismo social.

Saí da sala de cinema com uma sensação de alívio por ver um filme que não cai na mesma onda do Cidade.  Gostei mesmo de como o diretor tocou a história, mostrando uma situação complexa:

O traficante bandido, assassino. A polícia corrupta e a classe média alienada, cheia de discurso e com atitude zero, as vezes até indo contra o discurso. A cena da porrada na passeata pela Paz é foda. Me lembrei na hora do movimento “Cansei”…

E tudo isso sendo narrado e interpretado através dos olhos distorcidos de um policial metido a justiceiro, violento e alucinado.

Algumas pessoas não gostaram do filme porque acharam fascista, incentivador da tortura,  e não perceberam que não é o filme que é assim, mas o protagonista. Aí ouvi um amigo dizendo que esse filme despertou no Rio um sentimento que deseja mais violência: uma adorção ao BOPE…
Essas pessoas estão malucas. Se um cara como Capitão Nascimento vira herói é o atestado de que a sociedade está mesmo muito doente.

Pra coroar o filme, ainda teve toda a história de ele ter sido pirateado antes de chegar ao cinema. Mostrou, mais uma vez, que a pirataria pode ser uma ótima estratégia de marketing e não uma inimiga.

Leo,,

Um salve a José Padilha

São Paulo

Nesse feriado fiz uma passagem relâmpago por São Paulo. Da selva amazônica à selva de pedras em algumas horas.

Foi maluco e angustiante ver toda a correria da cidade, o transito, a poluição, o abismo social, o shopping center iluminado, o rodízio de comida japonesa, o rio Tietê, os catadores, as obras, os novos bares, o pedinte no farol, as mansões do jardins…

Foi maluco e angustiante ver como sou parte de tudo isso.

São Paulo