Venda de música no Yahoo

Interessante a iniciativa do Yahoo.

DRM é um dos maiores perigos que temos hoje em dia. Por um lado podemos enxergar que o meio digital possibilita a livre circulação de obras pelo mundo todo a um custo muito baixo, etc, etc… Por outro lado, o meio digital é o único onde se é possível ter controle absotulo dessa circulação, se houver um sistema pra isso, claro. E DRM é isso. Saber quantas pessoas baixaram, quantas ouviram, quantas vezes, quantas cópias fizeram, etc, etc…

Me lembro agora da polêmica causada com o CD da Marisa Monte. O mecanismo de segurança do CD dela não deixava que ele fosse reproduzido no computador. Isso impedia pessoas que ouviam CDs no computador de ouvi-lo, passá-lo pro seu tocador de Mp3, ou mesmo fazer uma cópia de backup.

Lembrem-se: Quando você compra um CD você não está comprando um pedaço de plástico, você está pagando uma licença de uso, que te permite fazer cópias para uso pessoal, para ouvir no mp3-player, etc. Você está pagando pelo direito de ouvir, do jeito que você quiser…

Leo,,

Venda de música no Yahoo

Trama e Tim Maia Racional

Hoje passei numa loja de CDs e vi para vender o Tim Maia Racional – Volume 1. Até aí tudo bem. Minha surpresa foi virar do outro lado e ver o selo da Trama.

“Nossa, enfim lançaram esse CD!”, pensei. E aí veio uma surpresa maior ainda, quando li “Faixas Bônus: Todas as músicas originais, com som de vinil”. Genial!

Esse disco, que foi tirado de criculação pelo próprio Tim Maia depois
que ele rompeu com a seita, continuava sendo comercializado no mercado
informal. Era possível comprar cópias piratas dele com capa, encarte e
tudo mais.

A Trama foi genial ao acrescentar no CD as faixas com do vinil. É o tipo de coisa que o comprador desse álbum vai valorizar. Sobreviver no
mercado fonográfico hoje depende desta criatividade e capacidade de
agregar valor ao CD, muitas vezes com coisas simples e sem nenhum custo
adicional.

Isso pra mim provou que realmente a Trama está com uma postura muito interessante e é, de longe, a gravadora que vem melhor se adaptando ao mundo digital. Só o preço do CD que podia ser melhor. No fim não topei pagar os R$32,00 que estavam pedindo.

Leo,,

Trama e Tim Maia Racional

O importante papel da mentira

A internet está cheia de mentiras, bobagens, informações erradas e imprecisas. Os famosos gatos bonsai  são um exemplo inofensivo disso. Mas existem outros muito mais perigosos.

Muito comumente isso é visto como um ponto negativo da internet. A velha história do excesso de informações gerando a desinformação. Existem tantas coisas que é difícil achar o que você quer e, quando encontra, é complicado saber se pode confiar ou não. Ao contrário, não vejo isso como um problema. A internet não tem a menor credibilidade. Que bom!

Que bom porque cresci em um mundo em que os meios de transmissão (largamente chamados de meios de comunicação) possuiam uma credibilidade plastificada em si mesmos. “Passou na TV? Deu no jornal? Então é verdade!”. Não importa quem fale, quem escreva, porque não é a pessoa que tem a credibilidade, é o meio.

Na internet não tem isso. Como disse, a internet não tem credibilidade nenhuma por si só. Pelo contrário. E isso é ótimo, pois quem volta a ter credibilidade é a pessoa na outra ponta da rede. Um exemplo claro de como isso pode funcionar é o MercadoLivre. Ninguém compra nada ali porque confia no MercadoLivre em si. Ele até tem alguns mecanismos para tentar aumentar a segunrança, mas o que pesa na hora de fechar uma compra é a reputação que o vendedor tem na comunidade.

É um exemplo muito pequeno, porque se restringe ao ambiente de um único site e a uma relação comercial. Mas podemos transpor isso para a troca de informações em geral na rede. As pessoas naturalmente elegem suas referências para diferentes assuntos, e redes de confiança se formam.

O passo mais difícil para essa mudança, de tirar a credibilidade do meio e devolvê-la para o indivíduo, é a mudança de postura de quem está atrás de informação – do receptor. Há que se perder o hábito de esperar que a “informação oficial” venha todos os dias, no mesmo horário, em um canal qualquer. Nós temos que escolher os canais que confiamos. Isso é uma mudança maior do que parece!

O importante papel da mentira

Relato final de Osasco

Grande e confuso

por ter sido escrito picado durante esses dias e pelo meu estado de espírito no fim da oficina.

bjs

Leo,,

Chegamos de manhã e orientamos todoas a seguirem para o laboratório.

No de Áudio: Montagem da rádio.

Vídeo: Montagem do Lab e começo da oficina de câmera e roteiro

Gráfico: Manipulação e imagens

MetaRec: Papo sobre os projetos e começo dos trabalhos.

O pessoal foi para os laboratórios e a coisa começou boa. Depois da
rádio montada o pessoal voltou pro laboratório e começou a fuçar nos
softwares. O pessoal do gráfico já mexeu com fotos, o pessoal de vídeo
reconheceu os equipamentos e o pessoal de metareciclagem abriu as
possibilidades dos projetos e fez o levantamento de algumas coisas que
precisavam ser compradas.

Na hora do almoço a maioria das pessoas foi visitar um Ponto de
Cultura, Terreiro Loabá. Não posso relatar como foi porque não fui, mas
o pessoal levou equipamentos e fez gravações de áudio e vídeo.

Claro que a coisa lá foi animada e se estendeu. O pessoal ficou lá a
tarde toda. Nos laboratórios a coisa continuou funcionando. O pessoal
conseguiu montar a camera reciclada, outros já começaram a editar
vídeos.

Assim que o pessoal voltou do terreiro conseguimos reunir todos no
saguão da escola de artes para fazermos o planejamento dos próximos
dias. Os grupos voltaram a se reunir e um oficineiro ajudou cada grupo
a fazer o planejamento do que precisava ser feito até o fim da semana.

Colamos e organizamos no mural todas as atividades que se seguiriam nos próximos dias.

Dia 4 e 5

Diz que em São Paulo um PCC aterrorizou todo mundo.

O pessoal demora a chegar. As 9, 9 e meia só estavam lá aqueles que
dormiam na escola. Tudo bem. Agitamos daqui e dali e o trabalho começa.

Os grupos que estavam fazendo vídeo se revezam e saem pra gravar. Na aldeia Guarani do Jaraguá, e em outros lugares…

No começo da tarde palestra com Célio. Na sequencia palestra sobre
empreendedorismo cultural dada por um Ponto de Cultura. “Não podemos
perder a dimensão de mercado da cultura”. Por que isso me parece tão
contraditório com o que falamos? No primeiro dia falamos: Cultura não
deve ser mercadoria, não deve seguir as mesmas regras de mercade de um
sabonete… Mas enfim. Ninguem sabe a verdade…

O trabalho dos grupos continuaram a todo o vapor. Para o bem e para o mal.

Para o mal pois já notamos nesse dia uma diminuição no número de
participantes. No mural de retrospectiva alguém colocou que a proposta
era muito avançada e não contemplava os iniciantes.

De fato em todas as oficinas, mesmo antes de experimentarmos este novo
modelo, essas coisas sempre aconteciam. A evasão e a dificuldade de
integrar pessoas em diferentes níveis de conhecimento. Nas últimas
fizemos uma ótima opção de dividir a Se Joga na Rede entre quem não
sabe nada de internet de quem já navega.

Para o bem porque nesse dia aconteceu o tipo de coisa que realmente faz
a diferença na formação dos multiplicadores. A galera que estava
dormindo no espaço ficou com nossos laptops e continuou trabalhando sem
parar madrugada a dentro. Fuçando, aprendendo. A gente ficou por perto
até tarde. Ajudando o pessoal. Os que manjavam mais ajudavam os que
manjavam menos. Esse tipo de imersão é insubstituível.

Para a equipe, quando falamos em uma oficina atrás da outra, quase duas
semanas por mês fora de casa, esse ritmo é insustentável.

Aí mora a contradição.

Temos que ter cuidado também em não cair só na fazeção e esquecermos
que estamos em uma oficina, e não em uma produtora. Alertei para isso
antes, mas a prática do dia a dia é complicada.

Vanessa e Marcinha se transformaram em operadoras de ilha de edição
enquanto os grupos ficavam aflitos em terem que terminar os vídeos.
Isso não deve acontecer.

Falamos e repetimos que o importante era o processo. Falamos tanto que
virou piada. Não adianta só falar, tem que valorizar. É preciso que
criemos mecanismos que valorizem o processo durante o processo. É
preciso que todos acreditem nisso, para que em nenhum momento se crie
expectativas ou, pior, desejos em torno de um produto. Facilmente nós
nos encantamos com a possibilidade de criar um produto legal e nos
esquecemos do processo.

Dia 6

No último dia de manhã muitos grupos corriam para finalizar o produto.
Marcio estava muito preocupado em fazermos um encerramento. Isso é
importante, já que em outras oficinas não houve essa amarração, todo
mundo se olhar e falar “valeu!”.

Ajudei um grupo a finalizar um vídeo e fomos agilizar a arrumação do
auditório para o encerramento. Depois do almoço voltamos e fui um dos
que fez o papel de ficar apressando a moçada para fazermos logo o
encerramento…

Todos no auditório, um grupo ainda lá em cima terminando de editar,
começamos. Qual vai ser o primeiro grupo a apresentar? Ninguém se
manifesta então puxo o grupo que eu ajudei. Eles falam e quando vamos
mostrar o vídeo dá pau no som, xiadeira no auditório. Depois de alguns
instantes funciona.

Entra o prõximo grupo e dá pau em alguma outra coisa… e assim
seguiram-se os paus. Com intervalos de tensão entre as falas e
apresentações. Todo mundo muito cansado. “O importante é o processo”
sendo falado da platéia em tom de piada.

Uma hora me dei conta e falei “Tá tudo errado isso aqui. Parece que é
uma apresentação nossa.. vocês todos aí sentados. o que esta
acontecendo? cadê o pessoal que trampou toda essa semana?” e passei o
microfone pra mão do Reverendo, do ponto de cultura Cachuera.

E a coisa rolou.

Ainda rolou a apresentação do projeto bônus que rolou no lab de
metareciclagem. Construíram uns sensores de chão e adaptaram naquele
joguinho que você tem que dançar junto com a música, que tem em
fliperama, uma setinha pra cada lado e vc tem que ficar acertando o
passo. Adaptaram a música Linha de Comando, trocaram a imagem de fundo
e a Haina fez a demonstração

Umas 40 pessoas fizeram uma roda, cantaram e dançaram no final. Foi bom.

Relato final de Osasco

Osasco dia 2

De manhã cedo não demorou muito e já tinha bastante gente no auditório. A atividadede Introdução a Gestão Compartilhada andou bem. O debate depois do vídeo do Paulo Freire foi muito bom. Bem melhor do que o do dia anterior.

Uma das coisas legais do debate foi falar que as práticas de trabalho colaborativo em rede não são novidades, e muitas vezes remetem a práticas antigas. A velha história do puxadinho… Falamos também do ponto de partida para as oficinas, que não deve ser a máquina, e sim o que as pessoas fazem e querem fazer.

Ontem o pessoal estava ainda muito frio. Por isso jogar o debate sobre Cultura Digital mais para frente, quando as pessoas estiverem com mais bagagem para discutir, quando as coisas ficaram menos abstratas, é uma boa ideia.

A tarde fizemos a roda em volta do grande painel de papel kraft pregado no chão. Uma rodada de aquecimento, cada um falando a primeira coisa que viesse na cabeça. Depois demos um círculo com a palavra “Culturas” no centro do painel. “Quando rolar a música todo mundo pega as canetas que estão no chão e vão puxando círculos menores com palavras que venham a nossa cabeça. “Culturas” me remete a alguma coisa que remete outra pessoa a outra coisa…

Um, dois, três e já. O som engasga e o pessoal espera a música. Augustus Pablo. E todo mundo vai ao painel e começa a escrever. Todos de uma vez. Alguns minutos depois o som pára e as pessoas se afastam sorridentes.

Tava lá um mapa gigantesco, com mil combinações, como por exemplo: Culturas > África > Bantu > Ancestralidade > Música > Alegria > Tambor > Rede > Ayê > Candomblé > Raízes…

Depois de alguma contemplação, dividimos todos em seis grupos, aproveitando os grupos que se formaram de manhã na atividade do IPF.

Cada grupo desenha um pequeno mapa conceitual espalhados pelo saguão do prédio e pelo jardim. No centro do mapa: “Fazer”. A idéia era responder 3 questões: O que eu sei fazer? O que eu gostaria de fazer? O que eu considero impossível de fazer.

A partir daí cada grupo se reuniu, por mais de uma hora, e bolaram um projeto para ser desenvolovido durante as oficinas.

Ficamos circulando de grupo em grupos, dando idéias e incentivando que os projetos usassem mais de uma linguagem.

Os projetos, resumidamente, foram:

1. Uma performance, com músicas e projeção de vídeos.
2. Um grupo que misturou brancos, afro-descendentes e índios para fazer um vídeo sobre miscigenação
3. Uma rádio-foto-novela, misturando todas as linguagens e tendo como tema o encontro
4. Um video-documentário sobre pichação vs grafiti
5. Uma montagem audio-visual com animação, vídeo e música
6. contruir uma câmera a partir de uma camerinha de segurança e um video cassete velho, documentar o processo em foto e fazer um video com a camera.

A noite nos reunimos. Amanhã no fim do dia nos reuniremos novamente com os grupos para fechar a programação dos próximos dias.

Ideias para a próxima:

. Intercalar Ação, reflexão e ação. Para isso começaríamos a prática mais cedo, para termos tempos de pararmos para refletir durante o processo e voltarmos a ação. Isso parece mais interessante do que um grande período de reflexão e só depois ir para a ação. Para isso o IPF teria que ir mais para o meio da oficina, junto com o debate sobre Cultura Digital.

. Primeira atividade depois do credenciamento: montagem dos Labs, montadem da rádio, sinalização do espaço, etc… Tudo em formato de oficinas.

. Pré-projetos, para tocar logo depois da montagem dos labs. Ex: Fazer uma vinheta pra rádio.

Osasco dia 2

Osasco dia 1

1o dia

Muita chuva de manhã fez com que as pessoas atrasassem muito para chegar. Já havia umas 10 pessoas quando chegamos de manhã cedo, mas só próximo do meio dia que mais gente apareceu.

Pela primeira vez no ano não tivemos a atividade de integração com o IPF. Quanto tinha gente suficiente já estava em cima da hora do almoço.

Depois do almoço fomos para o auditório, quebramos o formato platéia x palco e começamos a roda de apresentação.

Me apresentei e apresentei os objetivos do encontro. Falei de como vai funcionar a dinâmica das oficinas e todas as pessoas se apresentaram.

Argentino controlando o som e fazendo pequenas intervenções sonoras com um tecladinho sampler e o telão ligado mixando imagens de duas câmeras, mais fotos e vídeos.

No fim da apresentação começou naturalmente um debate sobre a cultura digital. “o que é metareciclagem?”, “como trabalhar com a molecada dos telecentros que só querem saber de msn e orkut?”. E por aí foi. Cultura Livre, remix, cultura não é sabonete, conhecimento livre, software livre, wikipedia, etc…

O papo rolou com Vjzaigem por cima, fotos de metarec, mimosas, converse, estudiolivre e wikipedia no telão. Eu falando bastante, algumas pessoas participando, textos rodando no telão…

Pausa pro café, voltamos e eu puxo o debate. Não quero mais falar, agora é com vocês. Silêncio, pessoal calado. Seguro o desconforto por mais tempo… Alguem fala. A coisa começa. Devagar. Puxo Robson da Tainã e falo pra ele contar como as coisas andam por lá. Como o digital transformou as coisas por lá. Ele fala empolgado.

Depois demora pra alguem falar. Pessoas tímidas. Uma pessoa puxa um debate sobre como lidar com os adolescentes que escrevem com linguajar de mensageiro instantâneo. A conversa se estende mais do que devia mas, por fim, toma rumos interessantes.

Termino puxando a bola pro Davi, que se apresentou dizendo que vivia e sobrevivia de mp3 e internet. Como é que vamos viver com essa história toda?

A experiência de fazer esse papo com um cenário e intervenções multimídia surgiu da idéia de tornar a coisa mais dinâmica e, ao mesmo tempo, apresentar possibilidades que aliementem a criatividade do pessoal para a hora que eles terão que criar os projetos. Foi muito bom. Pena que muitas pessoas vão chegar só amanhã e que o debate não foi tão quente.

Leo,,

Osasco dia 1