Desafios para o desenvolvimento de serviços digitais pelo governo federal brasileiro

Este trabalho, que é minha dissertação de mestrado, investiga os desafios para o desenvolvimento de serviços digitais no governo federal brasileiro. Para isso, procuro trazer as melhores práticas que são utilizadas na gestão de projetos e no desenvolvimento de software na iniciativa privada e nos governos dos EUA e do Reino Unido, que vem despontando como experiências de excelência nessa área.

Pessoas interessadas em desenvolvimento, em software livre, metodologias ágeis, gestão pública podem se interessar.

Gestores públicos, especialmente aqueles que não são da área de TI, mas que gostam do assunto, devem gostar, já que o trabalho se preocupa em ampliar esta discussão para além dos nichos de técnicos e especialistas.

Ele procura entender quais são as regras e as práticas recorrentes no desenvolvimento de software na Administração Pública Federal e quais os pontos críticos que precisam ser observados para desenvolver um projeto de sucesso. Para isso, analisamos dois casos concretos que nos ajudam a perceber como é possível implementar as melhores práticas dentro das rígidas regras de contratação e prestação de contas a que o serviço público está submetido.

Esta dissertação foi defendida no mestrado do programa de estudos pós graduados em administração da PUC-SP em fevereiro de 2016.

Ela está acessível online, basta navegar no índice no final desta página, e também em PDF. (em breve pretendo publicar uma versão epub). Download em PDF

RESUMO

Esta pesquisa investiga o estado atual da gestão de Tecnologia da Informação na administração pública brasileira, com foco no desenvolvimento de serviços digitais, e a confronta com as melhores práticas do mercado e com algumas experiências de governos internacionais. O objetivo deste trabalho é investigar quais são os principais desafios encontrados pelos gestores públicos de TI do governo federal brasileiro para desenvolver serviços digitais com qualidade e agilidade, e que entreguem para os cidadãos uma experiência à altura da expectativa de uma sociedade cada vez mais habituada ao uso de tecnologias digitais. Faremos isso a partir da análise das melhores práticas adotadas pelo mercado de TI, em especial as chamadas “startups enxutas” (lean startups), e de como essas práticas foram adotadas pelos governos estadunidense e britânico. A partir desses estudos proporemos nosso próprio quadro de melhores práticas para o desenvolvimento de serviços digitais e o utilizaremos como referência para avaliar o estado atual as práticas no governo brasileiro. Em seguida passaremos a investigar quais são as dificuldades encontradas pelos gestores para adotar essas práticas, em primeiro lugar olhando para o contexto geral da TI no governo, sua história, normas e legislações, e, em segundo lugar, fazendo dois estudos de caso com vistas a conhecer as dificuldades concretas enfrentadas pelos gestores no dia a dia. A partir dessas análises apresentaremos uma síntese de quais foram os principais desafios identificados no desenvolvimento de serviços digitais e procuraremos apontar possíveis caminhos para enfrentá-los. Os principais desafios encontrados foram: a) reposicionar a TI da logística para a estratégia; b) revisar as normas legais para especializar o desenvolvimento de serviços digitais, que deve ter um processo específico, diferenciado das compras ordinárias; c) ampliar a oferta de alternativas de infraestrutura de TI acessíveis para os órgãos, modernizando os serviços oferecidos pelas empresas públicas e identificando serviços que possam ser hospedados em soluções comerciais para reduzir custos e fomentar o mercado nacional; d) ampliar e qualificar as equipes de TI para uma atuação voltada a gestão de projetos, e não apenas de contratos; e) construir uma visão sistêmica dos serviços, para que se possa entregar ao cidadão uma experiência única de relacionamento com o governo; f) garantir a participação da sociedade no desenvolvimento dos serviços, por meio do envolvimento do cidadão no processo, da abertura do código fonte e de uma abordagem de governo como plataforma; g) considerar o grande grau de exclusão digital do país e encontrar alternativas para oferecer os serviços à parcela da população desconectada. Por fim identificamos e apresentamos os pontos de sinergia entre as propostas desta pesquisa e a nova Estratégia de Governança Digital do governo federal.

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