4. ANÁLISE DE CASOS

Neste capítulo analisaremos o quadro de sugestões de melhores práticas (Quadro 4) em relação à dois casos concretos de desenvolvimento de serviços digitais na da administração pública federal. As duas experiências têm em comum a iniciativa de experimentar novos modelos de gestão de contratos e de desenvolvimento para tentar enfrentar problemas encontrados em iniciativas anteriores. As maneiras encontradas para responder aos desafios, como veremos, vão de encontro às melhores práticas propostas nesse trabalho.

No primeiro caso, o desenvolvimento do Portal de Serviços do governo federal, veremos a equipe do MPOG propôs uma metodologia de desenvolvimento totalmente diferente da que estava habituado a praticar ao contratar serviços com SERPRO e, em pouco tempo, conseguiu resultados superiores. Para isso, optou por contratar uma empresa reconhecida internacionalmente por excelência na adoção de metodologias ágeis de desenvolvimento e adeptos da abordagem enxuta.

Para analisar este caso fizemos entrevistas em profundidade com membros da equipe do MPOG, que foi a área demandante da solução, e com membros da equipe da empresa contratada, responsáveis pelo desenvolvimento do portal. Focamos a análise na tentativa feita de se aplicar as melhores práticas, enquanto, ao mesmo tempo, tentavam responder aos procedimentos impostos pela IN04, apesar do projeto ter um mecanismo de contratação diferente que não o submetia a eles. Por fim, analisamos cada um dos pontos das melhores práticas sugeridas no Quadro 4 com as práticas que foram de fato concretizadas e analisamos as principais dificuldades encontradas.

No segundo caso não estudamos o desenvolvimento de um serviço digital específico, mas acompanhamos o processo de construção de um Termo de Referência (TR) para a contratação de uma “fábrica de software”, rebatizada de “ateliê de software” para que tivesse um nome mais de acordo com o entendimento que o órgão construiu sobre como os serviços digitais deveriam ser desenvolvidos.

Conheceremos as críticas que os gestores de TI daquele órgão possuem em relação às metodologias de desenvolvimento e às métricas normalmente utilizadas nos modelos de fábricas de software e tomaremos contato com um departamento de TI que procura se posicionar de maneira estratégica, indo totalmente de encontro às melhores práticas de desenvolvimento de serviços digitais que identificamos nesta pesquisa. Para este estudo de caso foi feita uma entrevista em profundidade com o gestor responsável pelo desenvolvimento dos serviços digitais do órgão e análises da documentação gerada no processo licitatório, em especial o Termo de Referência.

A partir da análise desses dois casos teremos exemplos concretos das dificuldades encontradas pelos gestores de TI que se propõem a experimentar modelos inovadores de contratos no contexto do governo federal brasileiro. Esses serão os subsídios finais para que, no próximo capítulo, possamos desenhar um mapa dos principais desafios para o desenvolvimento de serviços digitais no governo federal e, finalmente, propor caminhos para enfrentá-los.

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