Small is Beautiful

Numa entrevista que fiz com Gil lá em Tunis, ele citou, sem explicar, a expressão “Small is beautiful“. Dalton me contou depois que se tratava de um livro de economia dos anos 70.

Fiquei com isso na cabeça e outro dia achei o livro em um sebo. Em um movimento pouco usual comecei a ler pelo último capítulo, porque fui atraído pelo título: “Novos Modelos de Propriedade”.

Nesse capítulo, o autor (E. F. Schumacher), narra uma experiência muito interessante. A da Scott Bader Co. Ltd.

Um dia o dono da empresa tomou uma decisão radical. Fundou a Scott Bader Commonswealth (comunidade) e transferiu a posse da sua empresa para a comunidade. Depois disso, concordou com seus novos sócios, agora os membros da comunidade em criar uma constituição; uma série de princípios que regeriam a comunidade, a propriedade da empresa e seu modo de funcionamento.

Os princípios são muito interessantes:

Na minha opinião, o mais interessante, que diz que a “firma permanecerá como um empreendimento de dimensões limitadas”… “Ela não passará de aproximadamente 350 pessoas”. Se o crescimento for inevitável, ele será feito “ajudando-se a criar novas unidades plenamente independetes organizadas” segundo os mesmos princípios.

Há uma série de princípios que regulam o nível de pagamento, evitando descrepâncias muito grandes entre cargos distintos. Outro que coloca que até, no máximo, 40% do lucro pode ser usado para pagamento de bônus e que, o mesmo valor (ainda dentro desses 40%) deverá ser destinado a fins caritativos.

A comunidade existe até hoje e parece manter os princípios que, segundo o site, foram ajustados as mudanças sociais.

Esse exemplo me pareceu bastante interessante pois vai de encontro a muitas coisas que vejo estarem acontecendo agora. A volta da produção local, do pequeno produtor, como alternativa econômica aos frangos-mutantes, a soja-transgênica, a música-produto, a educação-elitista e a saúde-pra-quem-pode-pagar.

O Digital Business ecosystem, outra experiência interessante nessa área, deve ter bebido nessa fonte.

Leo,,

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Small is Beautiful

Habermas e mestrado

Semana passada fui falar com Sergio Amadeu sobre um possível mestrado. Ainda não entendi muito bem o por quê, mas estou com vontade de fazer um mestrado e, como estou há um tempo longe da faculdade e não tenho lá um grande histórico acadêmico, fui falar com ele pra ele ajudar com as minhas idéias.

Primeiro tinha dúvidas se minhas idéias, ou insights como ele chamou, eram interessantes/relevantes ou não passavam de obviedades ou simplesmente viagens.

Depois queria saber ser era um tema focado o suficiente e se ele conhecia algum professor que pudesse me orientar.

O papo foi muito bom, Serginho foi muito apreensivo, ouviu bem e me orientou legal. Por fim me recomendou que lesse Habermas. Mais especificamente “Mudança estrutural na esfera pública”. Essa leitura, segundo ele, vai ser a prova de fogo pra ver se eu vou querer mesmo encarar a bronca.

Já comprei o livro e estou começando a ler. Devo ir postando aqui minhas impressões.

Pra compartilhar, aqui vão uns rabiscos sobre meu tema de mestrado:

. O Fim da credibilidade dos meios de comunicação
A internet está cheia de mentiras, de informações erradas e etc. A internet não tem credibilidade nehuma, e isso é bom. Bom porque, ainda hoje em dia, os meios de comunicação tradicionais carregam uma credibilidade cristalizada em si mesmos. “Passou na TV é verdade”. A internet tende a levar a credibilidade de volta para as pessoas. “Eu confio no que tal pessoa escreve”, ou mesmo, “eu confio em tal site…”. Nunca: “eu confio na internet”. Hoje, não interessa quem fala, estando nos meios de comunicação tradicionais, têm credibilidade (falando de público em geral). – esse tema tem muitos desdobramentos… como a publicidade roubando a credibilidade do jornalismo.. etc…

. O receptor ativo
Para esse novo modelo de comunicação funcionar, não basta uma multiplicação de produtores (o que já está acontecendo). Tem que haver uma mudança de postura dos receptores. Quero falar do receptor ativo não só como o cara que agora tb tem a oportunidade de ser emissor, mas do cara que, para ser receptor, tem que fazer um movimento em busca daquilo que ele vai receber. As coisas não chegam até ele mais em um horário certo, sempre no mesmo canal. É preciso que as pessoas aprendam como ir atrás do que querem. É preciso que as pessoas criem suas próprias redes de confiança, baseadas nas coisas que elas querem… Indo mais fundo. É preciso que as pessoas saibam o que elas querem.

. Impessoalidade x Pessoalidade
Ao contrário do que muitos pensam, de que a popularização da internet e dos meios de comunicação p2p vai fazer com que as pessoas não saiam mais de casa, façam tudo pelo computador, virem seres cada vez mais sedentários e entreguem suas relações sociais sempre a intermediação da tecnologia, queria abordar que vejo um movimento contrário:
1. como no tema sobre a credibilidade dos meios, vejo um movimento para relações mais pessoais na internet do que em qualquer outro meio (troca de arquivos p2p, redes de confiança, etc.)
2. Do ponto de vista da produção cultural, por exemplo a música, vejo uma maior valorização da performance ao vivo. As músicas em formato digital tendem a estar disponíveis para quem quiser na rede. Os músicos serão menos valorizados por sua produção em estúdio do que por sua performance ao vivo. A experiência real de ver alguém cantando será muito mais valorizada com a banalização do acesso a gravações. Isso já é realidade com músicos que ganham a vida de shows e disponibilizam suas músicas na internet. Jorge Furtado, quando perguntaram pra ele o que ele achava de saber que tinha gente assistindo ao filme dele em casa, antes da estréia no cinema, disse que não se importava. “Não é isso que eu faço. Cinema implica em a pessoa sair de casa, se deslocar, entrar numa sala, com uma tela grande, escuro, sistema de som, e se entregar por duas horas a uma experiência”…

. Muita informação causa desinformação?
Essa é a grande crise do pessoal de comunicação hoje em dia. Como fazer com tanta informação que tem na internet?? Queria explorar a questão do receptor ativo aqui, mas também o papel dos agregadores, as pessoas que vão filtrar tanta informação e se tornarão _nós fortes_ da rede. Algo como os DJs, que selecionam músicas, mas pra todas as áreas: fotos, noticias, informações, videos, etc… (alguma coisa sobre isso aqui no blog do ff: http://metareciclagem.org/fff/?p=3444

Leo,,

Habermas e mestrado

Ministério Público quer fechar sede do Google no País

Notícia completa no Estadao.com.br

O
escritório da empresa no Brasil poderá ser fechado, caso o Google
Brasil continue se recusando a fornecer os dados de 29 criminosos
cadastrados no site de relacionamentos.

E
a atitude do Ministério Público Federal não ficou só nisso. Em parceria
com a ONG Safernet, que defende os direitos humanos na internet, foi
elaborado um relatório bastante detalhado sobre as páginas do Orkut que
veiculam conteúdo impróprio – pornografia infantil, neonazismo,
incitação a crimes, maus-tratos contra animais, homofobia e
intolerância religiosa são algumas das denúncias que constam do
relatório.

(Pra contextualizar com o que vem rolando em outros países. Na China, o Google bloqueu acesso a alguns sites pra poder entrar no país, mas isso não safou de também ser bloqueado depois)

Essa discussão dá pano pra manda…. Google é processado pelo que seus usuários fazem… LimeWire é processado pelo que seus usuários fazem, KazAa é processado e paga uma nota preta

Na minha modesta opinião. O futuro aponta para um cenário onde, para se fazer o que se faz com todas esses serviços (google, gmail, orkut, kazAa, etc) não dependeremos de empresas e serviços comerciais (ao menos no que se refere a software…). Mesmo em relação a infra-estrutura (servidores, por exemplo), o p2p ainda está engatinhando e creio que infra-estruturas descentralizadas se desenvolverão muito nos próximos anos.

Nesse cenário, não importa que serviço (software ou rede) se usa, mas sim o protocolo, ou seja, que língua se fala. Todas as redes se cruzam em um grande Xemelê.

Essa sensação vai de encontro a primeira impressão que eu tive do orkut, quando alguém o descreveu pra mim: “é um lugar onde cada um tem sua pagina, vc conhece pessoas que tem interesses em comum com o seu, troca ideias, etc…”. Na época eu pensei, “ué, mas isso não é a internet?”…

E viva a descentralização.

Leo,,

Ministério Público quer fechar sede do Google no País

Barcamp

Evento bem interessante… se tivesse em Floripa, com certeza iria…

Barcamp é, em resumo, um modelo de desconferência.

A idéia surgiu entre pessoas com um interesse em comum: colaboração.
Esse é o nosso mote; aquilo que direciona as atividades do evento, onde
cada participante exerce literalmente a sua função de fazer parte dos
resultados. Esse modelo tem sido usado ao redor do mundo para reunir
pessoas em Amsterdam, New York, Vancouver, Bélgica, Índia. Agora está
na vez do Brasil.

Cada participante é encorajado a fazer uma apresentação, demonstrar
o projeto em que está trabalhando, ou fazer parte ativamente das
discussões que ocorrem nos cantos do evento. Não há lista de
palestrantes, nem programação fechada; existem idéias e vontade de
colaborar. Trata-se de estar envolvido diretamente em uma estrutura de
conversação horizontal e emergente.

Barcamp

Ser

Hoje sou um ser  humano, urbano, normal, com medo de tomar chuva.
Hoje sou um ser urbano, normal, humano, com medo de tomar chuva.
Ontem fui um ser normal, humano, com chuva e medo de ser urbano.
Hoje sou um ser sem chuva, urbano, e com medo de ser humano. Normal.

Ser

Relato Oficina de Vassouras-RJ

Na manhã do primeiro dia montamos as pastas dos participantes. Um caderninho, uma caneta, a programação, um mapinha da cidade com as indicações dos locais relacionados ao encontro e um nariz de palhaço.

Os dois ônibus que estavam vindo do Rio chegaram na hora do almoço. Todos fizeram inscrição e almoçaram, antes de dar mos início as atividades.

A tarde demos as boas vindas. Apresentei os principais objetivos do encontro e Roberta e Marcos tocaram a atividade de gestão compartilhada.

Foi bom porque no primeiro momento dessa atividade há uma boa integração entre as pessoas.

Os laboratórios já abriram a todo o vapor no segundo dia do encontro. Todos fizeram a atividade de montar o laboratório. Rádio no ar. Tudo montado.

No fim do dia o lab de vídeo já tinha sido montado, já tinham feito oficina de camera, capturado, editado e publicado um pequeno vídeo[1]!

Por outro lado poucas pessoas apareceram para a oficina Se Joga Na Rede. A ideia neste segundo dia era nivelar um pouco o conhecimento dos participantes. Os iniciantes no uso do computador foram orientados para ir para Se Joga na Rede, enquanto os outros poderiam ir para os laboratórios ou para a continuação da oficina de Gestão Compartilhada.

Infelizmente apenas cerca de 6 pessoas ficaram na Se Joga na Rede.

O laboratório Gráfico também já saiu produzindo no segundo dia. Fizeram um pequeno jornal mural [2] falando sobre a proposta de um dia de alimentação saudável proposto pela Caravana Arco Íris.

No terceiro dia fizemos de manhã o debate sobre Cultura Livre. A pergunta era: “o que estamos fazendo aqui? o que software livre tem a ver com reciclagem de lixo? o que cultura digital tem a ver com alimentos orgânicos?”.

Nos demais dias as oficinas continuaram a todo o vapor. Um grupo se reuniu para transformar o documento escrito na oficina de Gestão Compartilhada em uma performance. O Estudio Livre [3] foi apropriado por muita gente e a todo momento alguma coisa era publicada.

Destaque para o piano de chão[4][5] construído na oficina de metareciclagem.

No sábado a noite fizemos uma exibição de todos os vídeos produzidos em um telão na praça central da cidade.

No domingo de manhã encerramos com uma ótima roda de retrospectiva do evento.

Outras Atividades

A noite, depois das oficinas, aconteceram muitas coisas. Um dia houve uma mostra de vídeos que várias pessoas trouxeram – havia um cartaz nos corredores para o pessoal inscrever seu vídeo na mostra.

No primeiro dia teve uma festa com a presença de Jorge Mautner. Em outros dias houve festa no próprio local da oficina.

Além disso ainda houve muitas outras oficinas e intervenções trazidas pela Carava Arco Íris por la Paz.

A participação da Caravana Arco Íris

O pessoal da Caravana Arco Íris carrega a prática, a experiência e a vivência de muitos de uma séria de valores que são comuns a da chamada Cultura Digital. A intenção de criar um ambiente de vivência de valores como liberdade, colaboração, respeito, articulação em rede, generosidade, etc… ficou muito mais fácil com a presença da Caravana.

Presentes em todos os lugarem em todos os momentos, eles ajudaram a colcoar em prática esses valores através de um processo lúdico e, ao mesmo tempo, objetivo.

No primeiro dia tivemos um grande problema nas refeições. Com pessoas repetindo pratos antes de outras comerem e com um acúmulo gigante de pratos sujos que as mulheres da cozinha não tinham tempo de lavar. Acabou faltando prato para todos.

A partir do segundo dia a caravana passou a ajudar na cozinha e implementaram um sistema para que cada pessoa lavasse seu próprio prato. Um esquema simples, com 3 panelões de água, uns cartazes explicando como deveria ser feito, um balde para recolher o lixo orgânco (que ia para a horta) e pronto. Todos lavaram pratos. [6][7][8]

Essa foi uma das ações simples que carregam em si uma série de significados e aprendizados. Cada um lavar seu prato vai totalmente de encontro com a ideia de que o encontro é construído por todos, de que deve haver colaboração, descentraliação, etc…

Ainda na cozinha, a caravana ajudou a integrar as moças que trabalhavam o dia inteiro cozinhando e lavando. Fizeram atividades de alongamento com elas. Conseguiram, por fim, quebrar a relação, muito fácil de se criar, de serviço; de escravismo. Ficou claro para todos que as mulheres da cozinha não estavam ali para serví-los, mas estavam fazendo sua parte na contrução daquele encontro.

Membros da Caravana também participaram de todas as oficinas, trazendo sempre contribuições muito importantes.

Ainda houveram oficinas propostas e realizadas pela Caravana, como a de Tomada de decisão por Consenso, que traz uma metodologia de como gerir o poder de forma horizontal, porém ágil, organizada e funcional. Também aconteceram oficinas de Biorregionalismo, alimentação saudável, saúde, massagem, etc…

As intervenções da Caravana também foram muito interessantes. Propuseram que toda manhã houvesse uma “mística”, que compartilhasse com os participantes a realidade local de um ponto de cultura. Começaram por eles mesmos e fizeram uma encenação de como é o dia a dia deles em comunidade. No dia seguinte foi a vez de o Ponto de Cultura Tá Na Rua levar o bloca pra rua.

Palhaços e malabaristas também circulavam pelo encontro. Fazendo intervenções na hora do almoço ou na praça da cidade a noite. Sempre trazendo uma mensagem por trás da brincadeira.

O que foi bom?

. A presença da Caravana Arco Íris
. Ser em uma cidade do interior / participação dos pontos
. recorde de publicações no EstudioLivre
. muitas outras coisas…

O que precisa ajustar?

. Precisamos garantir um mínimo nivelamento entre os participantes, fazer com que quem não tem email ou familiaridade com o computador passe pela oficina de Se Joga Na Rede
. Estimular mais os projetos, que foram muito usados em Osasco e esquecidos em Vassouras

[1] http://estudiolivre.org/el-gallery_view.php?arquivoId=1566
[2] http://estudiolivre.org/el-gallery_view.php?arquivoId=1570
[3] http://estudiolivre.org/tiki-index.php?page=Vassouras+RJ
[4] http://estudiolivre.org/el-gallery_view.php?arquivoId=1666
[5] http://estudiolivre.org/el-gallery_view.php?arquivoId=1665
[6] http://www.flickr.com/photos/38712728@N00/211049671/
[7] http://www.flickr.com/photos/38712728@N00/211047939/
[8] http://www.flickr.com/photos/38712728@N00/211048768/

Relato Oficina de Vassouras-RJ