Direito de roubar

O silêncio generalizado em relação aos grandes crimes de sonegação (o caso do vazamento das contas do HSBC, a operação Zelotes e o recente protesto dos procuradores da Fazenda) em oposição ao grande barulho dos escândalos de corrupção no governo (com especial atenção aos que envolvem um certo partido) escondem uma crença perigosa: a de que “sonegação não é tão grave assim, afinal, de que adianta pagar impostos se o governo rouba e é ineficiente?”.

Me parece que os ricos têm, além de todos os privilégios que sabemos, mais este: o de poder roubar. Afinal, eles sabem melhor como cuidar do dinheiro. Seja na sonegação ou na ocupação irregular de terra do clube Pinheiros e das mansões em Brasília, os ricos acham que tem o legítimo direito de se apropriar da riqueza coletiva.

Os procuradores federais alertaram. Foram 200 bilhões só em 5 meses. Já se fala em um terço de todo o PIB mundial em paraísos fiscais. Não há roubo maior. Não há corrupção em nenhum governo no mundo que gere mais desigualdade do que esta apropriação indevida de riqueza encabeçada pelo sistema financeiro.

Direito de roubar

Por que devemos continuar indo para as ruas

Pelos vinte centavos.

Sim, ontem foi lindo, e todo mundo, inclusive eu, disse que era por muito mais do que vinte centavos. Mas agora precisamos focar nos vinte centavos.

Precisamos ganhar essa briga para abrirmos as portas para as próximas.

Os vinte centavos não são pequenos, nem do ponto de vista econômico, nem do político.

Não é pouco porque, como já disse o prefeito, a conta não fecha. E não fecha mesmo. Por isso é preciso que se invente outra conta.

Ganhar a briga dos vinte centavos significa abrir espaço no governo para se pensar uma mudança profunda nas prioridades políticas. Sabemos que tem dinheiro. Sabemos que os subsídios para o transporte particular são muito maiores que os para o transporte público. Sabemos que as contas hoje são uma caixa-preta. Sabemos que há solução, mas que pra isso é preciso muita vontade e coragem política pra mexer com um monte de gente que está acomodada em um modelo muito bem estruturado e confortável.

Ganhar essa briga significa abrir um novo modelo de criação de políticas públicas, com ampla participação da sociedade, indicando caminhos e apontando problemas.

Precisamos ganhar essa briga, sem dispersar, sem cair em um movimento genérico de indignação, facilmente apropriado por todas as parcelas da sociedade, das mais radicais as mais conservadoras.

Temos que ir em frente.

Pelo passe livre! Pela revogação do aumento das tarifas!

Por que devemos continuar indo para as ruas

Por que eu vou pra rua segunda-feira

Não é somente pelo aumento de vinte centavos na passagem, isso já ficou claro, e espero que tenha ficado claro para todos.

Por que então? A resposta mais fácil é uma indignação generalizada com a forma como as coisas vem sendo feitas no Brasil há anos: a corrupção que parece fazer parte da nossa cultura e do jeitinho brasileiro, o mensalão petista, a privataria tucana, os gastos absurdos e as desapropriações desumanas para a Copa e Olímipiadas, os péssimos serviços públicos que recebemos em troca de altos impostos, enfim, a lista poderia seguir indefinidamente.

Mas não sei se é uma boa estratégia essa de sair esbravejando com objetivos tão genéricos e dispersos. Por isso elejo meus dois principais objetivos. Claro que tudo está relacionado, mas precisamos começar por algum lugar.

Chegamos a um ponto em que pequenas mudanças não adiantam mais. Precisamos de uma transformação profunda na raíz de como as coisas funcionam nesse país.

Transformação do Transporte Público

O estopim para essas manifestações foi esse, e acho que devemos mantê-lo como primeiro objetivo. Em São Paulo essa não é uma questão somente econômica. Se locomover em São Paulo, seja a pé, de transporte público ou de carro, é um martírio. Quando as pessoas saem de manhã de casa para o trabalho, saem para um campo de guerra.

Eu não estou interessado em pequenos ajustes ou esforços para manter a tarifa mais baixa. Eu quero ver uma mudança estrutural na forma como o transporte público coletivo é gerenciado. Se a conta não fecha, que inventem outra conta. Por exemplo, o transporte individual recebe isenções e subsídios da ordem de R$ 16 bilhões por ano, enquanto o transporte coletivo recebe R$ 2 bilhões. Não me venham dizer que não tem dinheiro, é questão de prioridade e vontade política.

E quero mais, quero uma cidade para pessoas, não quero uma faixa de corredor de ônibus, quero duas ou três. E quero uma ciclovia. Quero que vire de ponta cabeça o modelo atual em que o carro tem prioridade total. Quero calçadões e quero parques. Quero o fim dessa especulação imobiliária que privatiza o espaço público e promove a gentrificação.

Reforma Política

Quero uma reforma política profunda. Quero o fim da imunidade parlamentar, do foro privilegiado, quero que os votos dos parlamentares sejam abertos. Quero o financiamento público das campanhas, para acabar com a relação promíscua entre grandes interesses privados e os governantes. Quero transparência total do governo.

Quero a redução dos salários dos políticos, que eles mesmo aumentam desrespeitando a população. E quero o fim da infinidade de benefícios que eles têm. Quero que a carreira política se torne totalmente desinteressante para esse monte de sangue-sugas que temos hoje em dia em todas as esferas do governo.

Para as ruas

Com essas bandeiras que vou sair amanhã. Saio também para combater pacificamente e denunciar a violência da Polícia Militar. E saio, triste, sabendo que essa é uma briga não só com os governantes, mas com boa parte da população, especialmente a população paulistana, que não entende nada do que está acontecendo e acha que está tudo bem.

Por que eu vou pra rua segunda-feira

Blogosfera Santarena

Ontem participei do I Encontro da Blogosfera Santarena que acontece dentro do FASOL, aqui em Santarem.

Apareceu muita gente interessante e diferente. Jeso Carneiro, que mantém talvez o principal blog de notícias e opinião da região, compartilhou sua experiência em migrar do jornalismo tradicional para a internet. Dayan Sarique, contou como seu blog incomodou muita gente na região de Itaituba. Mônica, de Belterra, contou um pouco sobre seus blogs, entre muitas outras pessoas interessantes.

Fabinho, do Projeto Saúde & Alegria, contou um pouco da experiência do blog da Rede Mocoronga de Comunicação. (rede de blogs que ajudei a construir). Alguns jovens indígenas da tribo Way-way também estavam presentes e falaram de seus blogs, como o blog do Assistehyo.

Outro que também falou um pouco sobre a experiência de ser blogueiro profissional foi o Daniel Nunes, do informatizado.com.br, entusiasta WordPress que já colaborou com a comunidade WordPress brasileira. Muito bom encontrar essas figuras pessoalmente.

Além do pessoal daqui, também vieram: Pedro Jatobá, do iTeia, Thiago Novaes, do descentro, e eu. Em mais de duas horas de encontro muita coisa foi falada e muitas propostas foram feitas, inclusive a da criação de um blog agregador dos blogs da região e do início do desenvolvimento de uma metodologia para se trabalhar com blogs nas escolas, não só com a parte de conteúdo mas também ensinando programação.

Quando morei aqui, em 2007, montei com Jader Gama uma oficina chamada “Como programar sem saber programar”, que propunha um jeito diferente de aprender programação com uma metodologia orientada a experimentação, a tentativa e erro e a modificação de softwares livres existentes. A ideia agora é evoluir isso para que se possa ser utilizada como metodologia de ensino nas escolas municipais da região.

A liberdade de expressão (na prática, não na teoria) trazida pela internet é especialmente importante em regiões como a Amazônia, com tanta riqueza e tão pouco cuidado. Por essas bandas ainda é muito comum a figura do coronel, que se considera dono de uma grande região, e manifesta com força bruta sua insatisfação com qualquer pessoa que levantar a voz contra seus interesses. Por isso tudo é muito legal ver blogs que começam a pautar a mídia local e incomodar esses figurões.

Pedro Jatobá resumiu muito bem a importância da criação dessa rede e desse encontro: “… assim eles vão perceber que não adianta ameaçar de morte ou intimidar uma pessoa única pessoa, como fazem. Vão ver que não é assim tão simples, pois é um movimento da sociedade…”

Blogosfera Santarena

Pescador de temporada

Tinha me esquecido que toda vez que venho para o Norte pego o vôo com um grupo de pescadores que tiram férias,confeccionam camisetas e bonés, e vão para a floresta passar uma temporada tomando caipirinha e falando besteira.

“Mas vale um dia ruim de pescaria do que um ótimo dia de trabalho” estampado na camiseta, bigodão penteado e lá vão eles falando alto e tirando sarro um com a cara do outro o tempo todo.

Aí fiquei imaginando o seguinte diálogo de um deles antes de sair de casa:

Mulher: Juízo lá hein, não vai aprontar..

Pescador: Imagina mulher, a gente só vai pescar e beber

Mulher: Então qual é o problema de eu ir? Adoraria ir com umas amigas e ficar no hotel.

Pescador: Lembra quando você tinha uns 13, 14 anos? Que todos os meninos da sua sala pareciam insuportáveis? Lembra como todas as brincadeiras deles pareciam sem graça e infantis?

Mulher: hmmm

Pescador: Não quero que você passe por isso novamente…

Pescador de temporada

Gambiarra em sachê

Sugru é um tipo de uma massinha de silicone modelável com mil e uma utilidades. Sua aplicação é similar a do nosso antigo e querido amigo durepoxi, só que muito melhor. Ele é:

  • muito mais fácil de modelar
  • mais bonito e colorido
  • a prova d’água
  • mais resistente

Como os fabricantes dizem, com ele você pode ‘hack things better’, e quando você compra, eles te estimulam a mandar fotos das coisas que você fez para serem publicadas no blog e inspirar outras pessoas.

É muito fácil de usar. Abre o saquinho, modela e deixa ‘curar’ por 24h. Pronto. É super resistente.

Mais do que remedar coisas quebradas, o legal do sugru é que serve muito bem para melhorar certas coisas. Eu separei aqui nesse post uns exemplos que peguei no blog deles aqui pra vocês terem uma ideia do que é possível fazer. Lá no site tem também uma galeria de fotos.

Ah, e também dá pra comprar pela internet. Continuar lendo “Gambiarra em sachê”

Gambiarra em sachê