Blogosfera Santarena

Ontem participei do I Encontro da Blogosfera Santarena que acontece dentro do FASOL, aqui em Santarem.

Apareceu muita gente interessante e diferente. Jeso Carneiro, que mantém talvez o principal blog de notícias e opinião da região, compartilhou sua experiência em migrar do jornalismo tradicional para a internet. Dayan Sarique, contou como seu blog incomodou muita gente na região de Itaituba. Mônica, de Belterra, contou um pouco sobre seus blogs, entre muitas outras pessoas interessantes.

Fabinho, do Projeto Saúde & Alegria, contou um pouco da experiência do blog da Rede Mocoronga de Comunicação. (rede de blogs que ajudei a construir). Alguns jovens indígenas da tribo Way-way também estavam presentes e falaram de seus blogs, como o blog do Assistehyo.

Outro que também falou um pouco sobre a experiência de ser blogueiro profissional foi o Daniel Nunes, do informatizado.com.br, entusiasta WordPress que já colaborou com a comunidade WordPress brasileira. Muito bom encontrar essas figuras pessoalmente.

Além do pessoal daqui, também vieram: Pedro Jatobá, do iTeia, Thiago Novaes, do descentro, e eu. Em mais de duas horas de encontro muita coisa foi falada e muitas propostas foram feitas, inclusive a da criação de um blog agregador dos blogs da região e do início do desenvolvimento de uma metodologia para se trabalhar com blogs nas escolas, não só com a parte de conteúdo mas também ensinando programação.

Quando morei aqui, em 2007, montei com Jader Gama uma oficina chamada “Como programar sem saber programar”, que propunha um jeito diferente de aprender programação com uma metodologia orientada a experimentação, a tentativa e erro e a modificação de softwares livres existentes. A ideia agora é evoluir isso para que se possa ser utilizada como metodologia de ensino nas escolas municipais da região.

A liberdade de expressão (na prática, não na teoria) trazida pela internet é especialmente importante em regiões como a Amazônia, com tanta riqueza e tão pouco cuidado. Por essas bandas ainda é muito comum a figura do coronel, que se considera dono de uma grande região, e manifesta com força bruta sua insatisfação com qualquer pessoa que levantar a voz contra seus interesses. Por isso tudo é muito legal ver blogs que começam a pautar a mídia local e incomodar esses figurões.

Pedro Jatobá resumiu muito bem a importância da criação dessa rede e desse encontro: “… assim eles vão perceber que não adianta ameaçar de morte ou intimidar uma pessoa única pessoa, como fazem. Vão ver que não é assim tão simples, pois é um movimento da sociedade…”

Blogosfera Santarena

Pescador de temporada

Tinha me esquecido que toda vez que venho para o Norte pego o vôo com um grupo de pescadores que tiram férias,confeccionam camisetas e bonés, e vão para a floresta passar uma temporada tomando caipirinha e falando besteira.

“Mas vale um dia ruim de pescaria do que um ótimo dia de trabalho” estampado na camiseta, bigodão penteado e lá vão eles falando alto e tirando sarro um com a cara do outro o tempo todo.

Aí fiquei imaginando o seguinte diálogo de um deles antes de sair de casa:

Mulher: Juízo lá hein, não vai aprontar..

Pescador: Imagina mulher, a gente só vai pescar e beber

Mulher: Então qual é o problema de eu ir? Adoraria ir com umas amigas e ficar no hotel.

Pescador: Lembra quando você tinha uns 13, 14 anos? Que todos os meninos da sua sala pareciam insuportáveis? Lembra como todas as brincadeiras deles pareciam sem graça e infantis?

Mulher: hmmm

Pescador: Não quero que você passe por isso novamente…

Pescador de temporada

Gambiarra em sachê

Sugru é um tipo de uma massinha de silicone modelável com mil e uma utilidades. Sua aplicação é similar a do nosso antigo e querido amigo durepoxi, só que muito melhor. Ele é:

  • muito mais fácil de modelar
  • mais bonito e colorido
  • a prova d’água
  • mais resistente

Como os fabricantes dizem, com ele você pode ‘hack things better’, e quando você compra, eles te estimulam a mandar fotos das coisas que você fez para serem publicadas no blog e inspirar outras pessoas.

É muito fácil de usar. Abre o saquinho, modela e deixa ‘curar’ por 24h. Pronto. É super resistente.

Mais do que remedar coisas quebradas, o legal do sugru é que serve muito bem para melhorar certas coisas. Eu separei aqui nesse post uns exemplos que peguei no blog deles aqui pra vocês terem uma ideia do que é possível fazer. Lá no site tem também uma galeria de fotos.

Ah, e também dá pra comprar pela internet. Continuar lendo “Gambiarra em sachê”

Gambiarra em sachê

Por que Belo Monte é uma péssima alternativa

Depois do polêmico leilão que definiu quem vai construir a hidrelétrica de Belo Monte, o debate sobre a usina tomou conta da sociedade.Vale dizer que o debate chegou meio tarde, deveria ter acontecido antes, muito antes, do leilão.

A questão é muito controversa e a maioria das pessoas fica com aquela interrogação na testa sem conseguir resolver o dilema da necessidade de geração de mais energia versus os impactos ambientais da usina.

Eu vou colocar aqui algumas justificativas do por quê eu sou contra a construção da usina.

Repotencializar as hidreletricas existentes requer um terço do investimento da construção da nova usina e gera mais energia

Pra mim só esse ponto já é suficiente pra acabar com o debate.

O estudo foi feito pela WWF (download do pdf) e mostra que com a repotencialização pode-se ampliar em 7.600MW o quadro de produção de energia. A previsão de geração de energia de Belo Monte é de 4.400MW, apesar de ter capacidade para 11.000, fazendo dela a usina menos produtiva e mais cara do país.

Muito além do alagamento

O impacto mais óbvio e mais discutido é a construção da barragem, o alagamento de terras indígenas e a redução no fluxo do rio, causando morte de peixes e modificando radicalmente o ecossistema da região. Ou seja, os índios e comunidades que não forem desapropriados, vão ver o rio, fonte de água, fonte de alimento, meio de transporte, etc. morrer aos poucos.

Mas os impacots só começam aí

Milhares de homens

O argumento que diz que a construção da hidrelétrica traz desenvolvimento é falso. Digo, falso, e não mentiroso, porque ele traz algum desenvolvimento, mas não o desenvolvimento que a sociedade espera e gostaria.

Imagine uma pequena cidade ou vilarejo, que, do dia para a noite, recebe muitos milhares de homens (homens, sem mulheres) para iniciar uma obra. Onde essas pessoas vão morar? Pra onde vai o esgoto de todas essas pessoas? Onde essas pessoas vão se divertir?

Acompanhei, um pouco de perto, através de relatos de amigos, este mesmo processo acontecendo em Juruti Velho, com a construção da mineradora da Alcoa. Ouvi muitas histórias de rios poluídos pelos esgotos dos canteiros de obras, prostutuição infantil, violência, surgimento de doenças que nunca haviam aparecido na região, etc.

E depois que a obra termina? Esses operários ou vão embora, ou ficam lá sem qualificação para, de fato, trabalhar na usina. E assim, mais uma vez, irresponsavelmente, e criado um centro urbano caótico, pobre e precário no meio da floresta.

Alternativas

Precisamos de mais energia, e isso não se discute. O que se discute é se essa energia vai servir, primordialmente, grandes empresas estrangeiras, como a Alcoa. Descobriu-se que a amazônia não é um reduto apenas de árvores e água, mas de muito minério. Podem esperar nos próximos anos a instalação de mais mineradoras na região que vão precisar de muita energia elétrica para trabalhar…

Essa é outra discussão. Mas precisamos, de qualquer forma achar alternativas para a geração de energia sem tantos impactos ambientais. Belo Monte é uma alternativa – a pior alternativa. Em pleno século XXI fazer uma obra dessa magnitude no coração da mais importante floresta tropical do mundo é uma irresponsabilidade sem tamanho. Com a usina vem uma cidade, pessoas, estradas, desmatamento, poluição, esgoto e tudo mais de bom e de ruim que um centro urbano tem.

Algumas informações adicionais sobre Belo Monte: http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/mentiras-e-verdades-sobre-belo-monte/

Por que Belo Monte é uma péssima alternativa

Flattr e a economia p2p

Já disse isso várias vezes: O dia que dar R$1 pra alguém pela rede seja tão simples e rápido quanto dar um click, a economia na internet vai dar uma reviravolta. Blogueiros vão ganhar dinheiro. Músicos vão ganhar dinheiro. Enfim, todos os criadores vão receber pelo seu trabalho.

Está pra ser lançado no Brasil um serviço bem interessante: o Flattr. Uma iniciativa do Peter Sundle, conhecido por fazer parte do Pirate Bay (antes desse ser vendido).

Funciona assim: Você assina o serviço e paga um x por mês. Quanto você quiser, você decide. Depois você sai navegando na internet como sempre faz e sempre que topar com alguma coisa legal e ficar com vontade de mostrar a sua gratidão para pessoa que fez aquilo você clica no botão Flattr e pronto. Claro, a pessoa tb tem que ter uma conta no flattr e tem que colocar esse botão no site dela.

No final do mês, o serviço pega o seu saldo e divide pelo tanto de cliques que você deu pela rede a fora. Se você colocou R$10 e clicou no site de 10 pessoas, cada uma recebe R$1. Se nesse mês você clicou em 20 sites, cada um vai receber R$0,5.

Mas não dá pra fazer isso com pagseguro ou paypal? Dá. E é quase a mesma coisa mesmo. Mas o Flattr, na minha opinião, tem duas coisas que o fazem ser interessante. (Sim eu pretendo usá-lo)

1. Você não tem q decidir quanto vai dar quando clica no site de alguem. Isso significa um passo a menos, alguns cliques a menos… e quanto mais rápido o processo, mais provável será que você vai clicar no site de muita gente.

2. Você não tem que se preocupar com quanto vai gastar. É pre-pago.

Abaixo um vídeo apresentando o serviço

Leo,,

Flattr e a economia p2p

Uma escolha infeliz

To aqui me remoendo desde que participei do debate sobre direitos autorais no Campus Forum, lá na Campus Party. Minha participação foi muito tosca…

Nos últimos anos eu fiz dezenas de palestras sobre cultura digital, em Pontos de Cultura do Brasil inteiro, e em vários outros lugares, onde eu abordava o tema do direito de autor, da cultura e do software livre. Falei de mais sobre isso…

Quando me chamaram pra campus party fiquei com vontade de fazer alguma coisa diferente. Até porque haveriam várias outras mesas sobre o assunto no mesmo dia. E como o chamado veio logo depois do meu post “desafio a industria”, resolvi abordar esse tema. Mas passado alguns dias da mesa, senti falta de ter dito várias coisas que sempre falo.

Falar que cultura não é sabonete. Tirar a discussão do publico das grandes cidades, que baixam filmes e músicas por opção, e levar a discussão para o resto do mundo onde a internet é o primeiro meio que dá acesso a toda produção cultural da humanidade para milhões de pessoas… Falar da evolução do direito de autor não só no que diz respeito ao tempo de proteção, mas tambẽm no que se refere a paranóia do plágio (não poder escrever um livro com um personagem de outro livro… ou com personagem com características parecidas….)

Mas é isso… 10 minutos e depois q acabou fiquei me ouvindo e tudo soava muito estranho…

enfim… uma escolha infeliz

Uma escolha infeliz

Faça melhor que eu pago – desafio a indústria

É simples assim: Hoje o compartilhamentos de filmes e séries de TV via redes bit torrent é muito mais popular do que os meios oficiais e legais de distribuição porque o serviço é muito melhor. Não é uma questão apenas de ser de graça, é uma questão de agilidade e qualidade.

Tomemos por exemplo os fãs de seriados americanos que vivem  aqui no Brasil. Algumas horas depois de o último episódio ter sido transmitido nos EUA, os fãs brasileiros têm a disposição o vídeo em alta definição com legendas em português. Tudo graças a um esforço conjunto e distribuído de pessoas que digitalizam, compartilham e se organizam para legendar o episódio.

O ponto que eu quero defender nesse post é o seguinte: Se a indústria conseguir oferecer um serviço melhor que o oferecido pelas redes de compartilhamento, ela encontrará um mercado gigantesco disposto a pagar por seu material.

Note que toda a minha argumentação daqui enxerga como público as pessoas comuns, que não são experts em computadores e nem querem ter que estudar 3 tutoriais para conseguir assistir seu programa favorito.

Por quê?

1. Facilidade: Por mais que o bit torrent hoje seja popular, para a maioria das pessoas ele ainda é um bicho de sete cabeças. Não é uma coisa muito simples de usar e muitas pessoas comuns, que não são geeks, dependem de algum amigo para baixar as coisas que gostam de assistir. Entrar no site oficial da série ou do filme e clicar em download é sem dúvida algo infinitamente mais fácil.

2. Segurança: Fazer download do site oficial dá segurança ao usuário de que ele não está baixando um vírus.

3. Garantia de qualidade: Normalmente os releases de séries e filmes em bittorrent são muitos, cada um com uma compressão diferente, e nem sempre a qualidade é boa. Para o usuário comum, é muito difícil saber qual é o arquivo certo para baixar e são comuns os casos em que, por acidente, o usuário baixa um vídeo com o áudio dublado em um idioma estranho a ele, ou com legendas em chinês. Baixando do site oficial daria a garantia de que ele está baixando um vídeo na melhor qualidade possível.

4. Disponibilidade: As redes bittorrent são muito boas quando se está buscando por lançamentos e novidades mas ineficientes quando se busca por material mais antigo (e quando dizemos antigos estamos falando de apenas 1 ano, ou até alguns meses). Encontrar  um episódio que foi ao ar há 2 anos atrás pode ser muito difícil e, mesmo quando se encontra, o download é muito lento porque poucas pessoas ainda estão compartilhando. Ao longo do tempo, existira um arquivo imenso disponível para compra (ver cauda longa).

Como fazer?

1. Logo após a exibição do episódio na TV, ou logo após o lançamento do DVD, disponibilize o filme/série em seu site oficial para download pago por no máximo US$1,00 . Qualquer pessoa pode entrar no site, pagar, e receber acesso ao download rápido.
“Você está louco, dessa maneira eu vou estar fornecendo a materia prima para a pirataria de mão beijada” – Com certeza alguém vai comprar e disponibilizar de graça em redes bittorrent. Mas você não deve se preocupar com isso, por uma série de razões:

1.1 De qualquer maneira eles teriam o material para disponibilizar nas redes, pois gravam a série da TV ou fazem uma cópia do DVD.

1.2 A esse preço, por que eu vou me meter em toda a confusão e riscos do torrent se o site oficial está me oferecendo facilidade, segurança, garantia de qualidade e disponibilidade?

1.3 Não se engane: Se 1000 pessoas fazem download de redes de compartilhamento ou compram DVDs piratas, isso não significa 1000 DVDs a menos vendidos. A imensa maioria dessas pessoas nunca compraria o DVD. Quem, no cenário descrito acima, ainda optar pelo download via torrent, tem grandes chances de se enquadrar em uma dessas 2 categorias: a) geek, que não vê a menor dificuldade em baixar via torrent (minoria das pessoas), b) jovens ou pessoas que não tem autonomia financeira, ou um cartão de crédito para fazer uma compra online. Mas essas pessoas continuam sendo um público em potencial e podem passar a comprar assim que tiverem condições.

2. Disponibilize legendas: Hoje as comunidades conseguem produzir as legendas para os seriados em algumas horas. Sem a legenda vocês estarão deixando muita gente de fora.

3. Facilite o pagamento: Aceite todos os cartões, payPal e outros sistemas de pagamento digital

4. fidelize o público: Existem coisas que só vocês podem oferecer e que muita gente tem interesse. Existem experiências que são insubstituíveis. Participar de uma coletiva de imprensa, ao vivo, sobre o lançamento de um filme, por exemplo. Você pode assistir a entrevista depois, mas participar dela ao vivo, ter a possibilidade até de emplacar uma pergunta, ter acesso em primeira mão a informações que milhares de fãs querem ouvir, etc. Muitas coisas poderiam ser oferecidas a clientes fiéis. Coisas que não são substituíveis com um arquivo compartilhado. Estamos falando de experiência.

5. forneça assinaturas: Possibilidade de assinar uma série, e ter o download automático no meu computador, pra chegar em casa a noite e já estar lá o episódio que quero assistir, em alta qualidade, com legenda.

O que não fazer?

1. Não use DRM: Porque é complicado, porque pode não funcionar em todos os computadores e porque não impede nada.

2. Não atrase o lançamento: Uma semana é muito. Um dia é muito. As pessoas querem ter acesso imediato, assim que for transmitido na TV, assim que o DVD for lançado.
“Mas os filmes já estão nas bancas de camelô e nas redes antes de o DVD ser lançado, por que as pessoas comprariam”. Esses releases antes de o DVD ser lançados são, em sua maioria, de péssima qualidade. As pessoas querem ter prazer ao usar as suas novas TVs LCD de alta definição.

3. Não ponha barreiras para outros países: Permita que o mundo todo compre o arquivo, sem barreiras. Se o usuário encontrar qualquer barreira, ele vai para o torrent.

Finalizando

O desafio está lançado. Faça isso com uma série popular e veja o resultado. Eu acredito que a indústria está deixando de ganhar dinheiro não por causa da pirataria, mas por não saber oferecer um bom serviço. Para ilustrar essa ideia, vou contar rapidamente o que aconteceu comigo recentemente:

Resolvi começar a assistir a série LOST. A primeira temporada foi ao ar em 2005 e eu não conseguia achar bons torrents para baixar. A qualidade de alguns DVDs piratas que achei eram muito ruins, com a imagem cortada para 4:3, ficava muito ruim de assistir na minha tela Widescreen. Comprar os DVDs estava fora de cogitação, pois as caixas são muito caras e não tenho o menor interesse de acumulá-las em minhas prateleiras. A minha solução foi ir a boa e velha locadora na esquina de casa.

Repare: eu não comprei o DVD e nem esperei que o meu canal de TV local que comprou os direitos de exibição transmitisse. Eu aluguei, e a indústria deixou de ganhar comigo.

Faça melhor que eu pago – desafio a indústria

Ciúme

Com o tempo aprendi que o ciúme é um sentimento para proclamar de peito aberto, no instante mesmo de sua origem. Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta.

trecho do livro “Leite Derramado” de Chico Buarque

Ciúme