Por que eu vou pra rua segunda-feira

Não é somente pelo aumento de vinte centavos na passagem, isso já ficou claro, e espero que tenha ficado claro para todos.

Por que então? A resposta mais fácil é uma indignação generalizada com a forma como as coisas vem sendo feitas no Brasil há anos: a corrupção que parece fazer parte da nossa cultura e do jeitinho brasileiro, o mensalão petista, a privataria tucana, os gastos absurdos e as desapropriações desumanas para a Copa e Olímipiadas, os péssimos serviços públicos que recebemos em troca de altos impostos, enfim, a lista poderia seguir indefinidamente.

Mas não sei se é uma boa estratégia essa de sair esbravejando com objetivos tão genéricos e dispersos. Por isso elejo meus dois principais objetivos. Claro que tudo está relacionado, mas precisamos começar por algum lugar.

Chegamos a um ponto em que pequenas mudanças não adiantam mais. Precisamos de uma transformação profunda na raíz de como as coisas funcionam nesse país.

Transformação do Transporte Público

O estopim para essas manifestações foi esse, e acho que devemos mantê-lo como primeiro objetivo. Em São Paulo essa não é uma questão somente econômica. Se locomover em São Paulo, seja a pé, de transporte público ou de carro, é um martírio. Quando as pessoas saem de manhã de casa para o trabalho, saem para um campo de guerra.

Eu não estou interessado em pequenos ajustes ou esforços para manter a tarifa mais baixa. Eu quero ver uma mudança estrutural na forma como o transporte público coletivo é gerenciado. Se a conta não fecha, que inventem outra conta. Por exemplo, o transporte individual recebe isenções e subsídios da ordem de R$ 16 bilhões por ano, enquanto o transporte coletivo recebe R$ 2 bilhões. Não me venham dizer que não tem dinheiro, é questão de prioridade e vontade política.

E quero mais, quero uma cidade para pessoas, não quero uma faixa de corredor de ônibus, quero duas ou três. E quero uma ciclovia. Quero que vire de ponta cabeça o modelo atual em que o carro tem prioridade total. Quero calçadões e quero parques. Quero o fim dessa especulação imobiliária que privatiza o espaço público e promove a gentrificação.

Reforma Política

Quero uma reforma política profunda. Quero o fim da imunidade parlamentar, do foro privilegiado, quero que os votos dos parlamentares sejam abertos. Quero o financiamento público das campanhas, para acabar com a relação promíscua entre grandes interesses privados e os governantes. Quero transparência total do governo.

Quero a redução dos salários dos políticos, que eles mesmo aumentam desrespeitando a população. E quero o fim da infinidade de benefícios que eles têm. Quero que a carreira política se torne totalmente desinteressante para esse monte de sangue-sugas que temos hoje em dia em todas as esferas do governo.

Para as ruas

Com essas bandeiras que vou sair amanhã. Saio também para combater pacificamente e denunciar a violência da Polícia Militar. E saio, triste, sabendo que essa é uma briga não só com os governantes, mas com boa parte da população, especialmente a população paulistana, que não entende nada do que está acontecendo e acha que está tudo bem.

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Por que eu vou pra rua segunda-feira

2 comentários sobre “Por que eu vou pra rua segunda-feira

  1. Andrea disse:

    Concordo com quase tudo, principalmente que devemos ter um ponto de partida, um objetivo principal, mas com esse objetivo (passe livre) é primordial q eu concorde pra ir às ruas. Infelizmente discordo. Por falar em infelizmente, que final infeliz para um texto tão bom e nem sou paulistana.

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