Autismo, secondlife e internet

via efeefe

Mais um exemplo incrível de como a internet abre espaço para diálogo entre pessoas que normalmente não conversam – e como cada lado da conversa pode falar por si mesmo, sem a necessidade de representantes.

O vídeo abaixo é uma reportagem sobre como autistas estão usando a internet, especialmente o Second Life, para se encontrarem e interagirem. Uma das coisas mais impressionantes é ver que existe a “Autistic Liberation Front” (Frente de Libertação dos Autistas), um grupo de autistas ativistas que se reúne para debater suas questões e defender que eles não querem nem precisam ser “curados”!

Neste vídeo você já encontra algumas afirmações chocantes de uma mulher autista que usa um teclado de computador e um sintetizador de voz para se comunicar e diz: “Só quando escrevo alguma coisa na linguagem de vocês é que as pessoas acreditam que ela esteja se comunicando”. Curioso notar também que ela gastou um tempão para deixar seu personagem no SecondLife com os mesmo tiques que ela tem.

Ela coloca que autismo não é uma deficiência (disability), mas sim uma outra habilidade, e questiona a visão que as pessoas normais têm dos autistas, argumentando que o fato deles não aprenderem a “nossa língua” é considerado uma anormalidade, enquanto que o fato de nós não aprendermos a língua deles – dos autistas – é normal.

Mas o mais impressionante pra mim foi assistir a um vídeo que ela mesmo (A. M. Baggs) fez, intitulado “In My Language” (Na minha língua), que coloco aqui abaixo.

O vídeo é dividido em duas partes. “Na minha língua” e “Tradução”. Na primeira parte acompanhamos cenas dela interagindo com o ambiente e cantarolando uma melodia. Na segunda parte entram outras imagens e o som de uma voz sintetizada a partir de um texto que ela escreveu em um computador – legendas tb aparecem pra facilitar o entendimento.

E assim começa o texto: “A primeira parte deste vídeo foi em minha língua nativa. Muitas pessoas acharam, quando eu disse que essa era minha língua, que cada parte do vídeo teria uma mensagem simbólica para ser interpretada pela mente humana. Mas a minha língua não tem nada a ver com projetar palavras, ou símbolos visuais para as pessoas interpretarem. Tem a ver com estar em uma conversa constante com cada aspecto do ambiente.” Parece que estamos conversando com alguém de outra dimensão!

E ela segue fazendo afirmações desconcertantes sobre como as pessoas acham que os autistas não pensam, só porque tem uma maneira particular de se relacionar com o mundo. Em um momento ela desafia: “Se você me encontrasse na rua acreditaria que fui eu quem escreveu esse texto?”.

Faz pensar.

Leo,,

links dos videos

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