A internet é de quem?

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Esse vídeo aí em cima tem uma linguagem bem legal. Apresenta muito bem como é (ou como pode ser) a internet. Alguns chamam isso de web 2.0, eu sou do time que fala simplesmente web.

Esse termo “2.0” surgiu da idéia de uma internet mais participativa, onde o conteúdo fosse criado pelos usuários (vide YouTube), que tem mais serviços (Agendas, wikis, documentos…) e mais redes sociais (orkut, myspace…).

Mas quando olhamos de perto, podemos ver esses “novos recursos” como nada além de uma evolução, constante e interminável, do que é a internet. Além disso, não existem critérios tão claros para se definir o que seja web 2.0. Trocando em miúdos, é apenas um jargão jornalístico e comercial.

Mais do que isso, colocar um número de versão na internet inteira, é classificá-la como se ela fosse um produto do qual você pode agora desfrutar, e não um processo do qual você faz parte. Por trás de um discurso de democratização da produção de conteúdo, está escondido o fato da centralização da propriedade desse conteúdo e dos meios de compartilhamento.

Basta perceber que todo o conteúdo publicado no YouTube é de propriedade do portal. Quando o Google pagou US$1,6 bilhões de dólares pelo site, o que exatamente ele estava comprando? O que confere valor ao YouTube não é o software que foi desenvolvido, há muitos outros serviços semelhantes. O valor vem da produção e do trabalho dos milhões de “usuários”. Quanto eles (nós) ganharam nessa transação bilionária? Nada.

Existem experiências no sentido de dar recompensa financeira aos usuários, como o Revver. O próprio YouTube também já acenou com a intenção de adotar algum modelo semelhante. Mas iniciativas como estas não acabam com o principal problema do modelo defendido pelas empresas da web 2.0, que é a centralização do conteúdo.

Empresas como YouTube ou MySpace dependem de uma grande estrutura central e controlada para terem sucesso. Isso significa praticamente replicar o modelo ultrapassado de um grande centro provedor de conteúdo. É a réplica do broadcast em cima de uma estrutura com um potencial maior.

A natureza da internet é a de ser uma rede ponto a ponto (peer to peer, p2p) em que cada ponto pode se comunicar diretamente com outro. Isso que faz o compartilhamento de conteúdo em larga escala sem uma grande estrutura física centralizada ser possível.

Não é a toa que existe um combate massivo contra as redes p2p por parte de grandes empresas. A “falta de controle” é algo assustador…..

O jargão da web 2.0 aponta para uma internet mediada e controlada por grandes empresas que oferecem serviços e uma grande infra-estrutura centralizada (desnecessária quando se trabalha em rede p2p).

A descentralização da infra-estrutura só traz benefícios para a rede: evita gargalos e traz autonomia para os usuários. Experiências como a de conexão a internet sem fio descentralizada e colaborativa, vão nesse sentido. É preciso que seja mais explorada a capacidade da troca de informação diretamente “ponta a ponta”, que transcenda a troca de arquivos, para que a internet realmente evolua significamente.

Enquanto isso, fiquemos espertos com o canto da sereia.

A internet é nossa.

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