Steal this film II: nada de novo

Ontem, depois de mais de uma semana tentando, consegui terminar o download de Steal This Film II, segundo documentário de uma serie que faz barulho na internet.

O filme, assim como o primeiro, é bom. Mas do meio do filme em diante, não pude deixar de ficar com a sensação de que não havia nada de novo ali.

Mais do mesmo

Deve ser porque eu estou envolvido com todos esses temas há vários anos, mas o filme não me trouxe nenhuma grande revelação ou insight. Ao contrário, se mostrou monótono e repetitivo.

Me pareceu também um filme um pouco desatualizado. Pensei aqui comigo que, na verdade, ele poderia ter sido produzido em 2003, na mesma época em que eu produzi o meu “A Música é de quem?” que trata sobre o mesmo tema.

Novas experiências em modelos de produção e negócio para música; exemplos de conflitos e contradições interessantes que a indústria está entrando; fatos sobre diferentes posturas que os atores envolvidos estão tomando – fabricantes de computador, desenvolvedores de software, portais de conteúdo, etc; nada disso é tratado no filme, que se resume a falar, mais uma vez, o que todo mundo já sabe: “Não é possível impedir o compartilhamento p2p e existe uma nova forma de produção colaborativa emergindo”.

Os Europeus

Assistir ao filme me reforçou uma sensação que tenha já há algum tempo: Que, muitas vezes, o pessoal do primeiro mundo tem uma visão bastante limitada da real transformação que o digital traz. As vezes me parece que só enxergam o fato de ter acesso livre ao entretenimento e não muita coisa além disso. Não há uma percepção das trasformações sociais que podem acarretar uma descentralização radical dos meios de comunidação. Para nós aqui no Brasil isso é mais importante do que poder assistir ao Homem Aranha de graça. (Estou sendo radical e generalizando aqui, mas as vezes é bom ser radical e generalizar)

Digo isso porque, na prática, a rede p2p ainda é dominada pelas grandes produções. Hoje o arquivo Top do Pirate Bay é o filme “Juno”, uma típica produção de Hollywood. E entre os Top 100 figuram todas (e talvez apenas) as grandes produções, incluindo Harry Potter e Homem Aranha.

Apenas dois softwares figuram na lista, o pacote Office e o jogo Age of Empires, ambos da Microsoft.

Em certa altura do filme, é dito que sempre haverá produções de massa, como novelas e filmes multi-milionários. Mas, ao meu entender, isso é colocado como uma questão a parte, com a qual não precisamos nos preocupar, pois o que interessa, e é esse o gancho que o filme faz, é que agora temos autonomia de produção, e teremos uma variedade muito maior.

Será que é isso mesmo? Será que uma produção descentralizada e uma distribuição gratuita é compatível com super produções como o homem aranha? Caso não seja, será que o cidadão usuário de bitTorrent atual está disposto a abrir mão do homem aranha (ou da grande quantidade de super produções) em detrimento de uma diversidade de produções “independetes”?

Acho que a discussão tinha que se aprofundar mais, se não corre o risco de cair na velha “Atitude MTV”: “Parem a guerra, protejam o meio ambiente, liberem os downloads e não atrasem a entrega da pizza!!”. Ou seja, jargões sem profundidade nenhuma.

Tanta coisa interessante acontecendo por aí, inclusive a própria maneira como eles financiaram o filme, recebendo doações, mas tudo isso pra falar a mesma coisa. De novo.

Leo,,

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