Combate as sementes piratas

Esse é um dos maiores absurdos no que se refere a propriedade intelectual nos dias de hoje. A propriedade sobre a vida, sobre o código genético.

A quebra da cadeia natural de se ter uma semente, plantar, recolher sementes e replantar, repetindo o processo infinitamente.

Ao invés disso, o DNA da semente é propriedade de uma empresa, você só pode plantar as (estéreis) sementes que comprar…

Agora a Embrapa vai usar satélites para fiscalizar sementes piratas. Claro.. como se fosse interesse público que uma empresa monopolize a distribuição de sementes para todos os produtores do país… E que quem não tenha dinheiro pra comprar essas sementes tenha duas opções: 1-pare de plantar, não ganhe dinheiro e morra de fome; 2- plante com outras sementes, não consiga concorrer no mercado e morra de fome…

Tá certo.. pra que pequenos produtores? Pra que diversidade de alimentos? Vamos todos comer ração! É muito mais econômico e eficiente…

medo

Leo,,

Combate as sementes piratas

Software Livre na Globo

Há pouco tempo atrás, nós do estudiolivre discutimos bastante nossa relação com os grandes meios de comunicação, depois de eu ter me recusado a dar uma entrevista para o canal Futura.

A discussão está longe de acabar, mas ontem tivemos mais um elemento para nos ajudar a refletir.

Sergio Amadeu e Julo César Neves foram ao programa do Jô, na Globo, falar sobre Software Livre.

Faz muitos anos que não tenho o costume de assistir televisão. Deve fazer ainda mais tempo que não assistia a um programa do Jô inteiro. Para vocês terem uma ideia, fiquei um tempo sintonizado no SBT esperando o Jô entrar…

Quando começou tive uma terrível surpresa. Um choque. Sabe quando você vê uma pessoa que não via há muito tempo e percebe uma grande mudança nela, engordou ou emagreceu muito, etc… Mudança que as pessoas que convivem com essa mesma pessoa diariamente praticamente não notam? Pois é, não sei se vocês vêem muito o programa do Jô e não perceberam, ou se todo mundo já sabe disso… mas ele está gagá! O que é aquilo??

Na aberutura do programa ele passou uns cinco minutos lendo umas piadas sem graça pelo Teleprompter. Parecia que ele não conseguia enxergar as letras direito, gaguejando na leitura… horrível. Durante a entrevista, quando não lê uma deixa ridícula e ensaiada em um papel tem um ataque de riso forçado… bizarro…

Mas enfim.. não é disso que eu quero falar.

A conversa sobre software livre não foi boa. Sergio Amadeu, professor de mão cheia, ótimo orador, não conseguiu utilizar uma didática “para leigos” e sintetizar a imensa quantidade de informações e experiência que ele tem nos poucos minutos apertados da ditadura da velocidade televisiva. O processo da Microsoft contra ele, por exemplo, seria um assunto que o Jô ia adorar, mas não chegaram nem perto disso. O entrevistador também não ajudou nada, por exemplo quando ficou insistindo que “mas tem o interesse de vender software livre também… então não é assim..”. Tinha um preconceito incrível do Jô ali… E ele saiu da entrevista sem entender que a NASA usar software livre não significa que eu possa daqui de casa alterar o programa deles…

Voltando a nossa relação com a mídia… Será que valeu a pena? Será que é possível usar esses grandes meios para passar a mensagem que queremos? Será que não é contraditório com nosso discurso de independência dos intermediários?

Tendo a achar que não valeu a pena. Tendo a achar que mais vale a pena o trabalho descentralizado, o boca a boca, o ponto a ponto. (como já bem disse o glerm)

Ontem fui assistir a A História do Brasil segundo Ernesto Varela, peça de Marcelo Tas (que pode ser assistida online pelo site). Muito boa, recomendo! Porque entrou essa peça no meio desse texto? Porque Tas é a única pessoa que conheço que tem a manha de quebrar a lógica de que quanto maior a audiência, menor o repertório, ou seja, pra se falar para muita gente, tem que se abaixar o nível da fala. Ele consegue usar a TV, veículo de massas, com uma linguagem simples porém de altíssima qualidade. Ernesto Varela, o repórter, é exemplo clássico disso. E, pra quem ainda não assistiu, assistam o vídeo Fora do Ar, quadro piloto feito para o Fantástico mas que nunca foi para o ar porque… bom, veja você mesmo e tire suas conclusões..

Leo,,

Software Livre na Globo

Uma luz no fim do beco

Até que enfim algum sinal de bom senso das grandes indústrias do entretenimento. A Warner, para combater a pirataria na China, resolveu vender os DVDs do Super-Homem por apenas US$1,70. Não sei quanto custa um DVD pirata na China, mas sem dúvida esse valor se aproxima muito dos disquinhos dos camelôs!

Outra iniciativa inovadora que rolou recentemente foi o processo que a LimeWire abriu contra a RIAA! Invertendo o jogo, essa é a primeira vez que um responsável por uma rede p2p abre um processo contra a associação das gravadoras norte-americanas! A melhor defesa é o ataque, devem ter pensado.

Isso aconteceu pouco tempo depois da e-donkey fechar acordo de 30 milhões de dólares…

Leo,,

Uma luz no fim do beco

Documentário sobre pirataria é disponibilizado na Internet

Extraído de :: Cinema Com Rapadura ::

O documentário sueco Steal This Film está sendo distribuído de graça na Internet, através do seu site oficial: www.stealthisfilm.com.

O vídeo mostra depoimentos dos donos do site de downloads de arquivos para BitTorrent – programa usado para fazer download de arquivos na Internet – PirateBay.

O site é superpopular devido ao número imenso de arquivos de música e de vídeo disponíveis para download gratuitos, cerca de 150 mil. O documentário também tem traços de humor e ironiza propaganda contra a pirataria.

Um segundo documentário sobre o tema já está sendo planejado.

Leo,,

Documentário sobre pirataria é disponibilizado na Internet

Entrevista no Canal Futura

Me chamaram pra dar uma entrevista, junto com a Marcinha, para o Canal Futura que está produzindo uma série de programas com assuntos ligados a internet, cibercultura, etc…

A ideia era falarmos do estudiolivre.org e das oficinas dos Pontos de Cultura.

Quando fiquei sabendo que ia ser num estúdio me veio um certo remorso de ter aceitado. Fiquei imaginando um cenário colorido e o Lucas Silva e Silva me entrevistando…

Mas beleza. Saí e recebi várias ligações da produtora querendo saber se eu estava chegando logo… Cheguei e Marcinha já estava lá. Estavam discutindo os termos do termo de autorização de imagem, onde autorizaríamos a Fundação Roberto Marinho a utilizar nossa imagem e do site estudiolivre para qualquer fim, em qualquer tempo, por ela ou por qualquer outra pessoa que ela autorizasse.

Bom.. de cara disse que não poderíamos assinar pelo estudiolivre, já que não eramos os “titulares” do site, como dizia a licença.

Depois fomos a de uso de nossa imagem, que tinha as mesmas cláusulas. Marcinha já estava argumentando há um tempão. Explicamos que isso era muito contraditório com o que fazíamos (deixar nossa imagem como propriedade da Fundação Roberto Marinho para fazer o que quiser… inclusive fazer DVDs, CDs, etc…) Queríamos autorizar apenas para a veiculação no canal Futura.

Ligaram pro Rio, mexeram em uma palavra. Não foi suficiente.

Fiquei balançado. Afinal sabemos que são formalidades, que leva tempo pra mudar isso, que a mudança não estava ao alcance das pessoas que estavam ali (produtores de TV… ai ai.. como não tenho saudade disso…).

Os caras já tinham feito 10 entrevistas naquele dia (e ainda era meio dia) sobre os mais variados temas… produção daquele jeito… coisas de TV…

Por fim cancelamos a entrevista. Talvez se tivesse sozinho tivesse feito.

Não sei se foi bom ou ruim.. saí com uma sensação estranha…

Acho que é aí é colocar na balança. Queremos essa exposição? Vale a pena abrir mão de algumas coisas (até pq, na prática, muito dificilmente fariam qq coisa com nossa imagem) para conquistar novos espaços? Ou o estranhamento causado na equipe acostumada a ter pessoas implorando por exposição na TV valeu mais a pena…?

Sei não…

Leo,,

Entrevista no Canal Futura

Small is Beautiful

Numa entrevista que fiz com Gil lá em Tunis, ele citou, sem explicar, a expressão “Small is beautiful“. Dalton me contou depois que se tratava de um livro de economia dos anos 70.

Fiquei com isso na cabeça e outro dia achei o livro em um sebo. Em um movimento pouco usual comecei a ler pelo último capítulo, porque fui atraído pelo título: “Novos Modelos de Propriedade”.

Nesse capítulo, o autor (E. F. Schumacher), narra uma experiência muito interessante. A da Scott Bader Co. Ltd.

Um dia o dono da empresa tomou uma decisão radical. Fundou a Scott Bader Commonswealth (comunidade) e transferiu a posse da sua empresa para a comunidade. Depois disso, concordou com seus novos sócios, agora os membros da comunidade em criar uma constituição; uma série de princípios que regeriam a comunidade, a propriedade da empresa e seu modo de funcionamento.

Os princípios são muito interessantes:

Na minha opinião, o mais interessante, que diz que a “firma permanecerá como um empreendimento de dimensões limitadas”… “Ela não passará de aproximadamente 350 pessoas”. Se o crescimento for inevitável, ele será feito “ajudando-se a criar novas unidades plenamente independetes organizadas” segundo os mesmos princípios.

Há uma série de princípios que regulam o nível de pagamento, evitando descrepâncias muito grandes entre cargos distintos. Outro que coloca que até, no máximo, 40% do lucro pode ser usado para pagamento de bônus e que, o mesmo valor (ainda dentro desses 40%) deverá ser destinado a fins caritativos.

A comunidade existe até hoje e parece manter os princípios que, segundo o site, foram ajustados as mudanças sociais.

Esse exemplo me pareceu bastante interessante pois vai de encontro a muitas coisas que vejo estarem acontecendo agora. A volta da produção local, do pequeno produtor, como alternativa econômica aos frangos-mutantes, a soja-transgênica, a música-produto, a educação-elitista e a saúde-pra-quem-pode-pagar.

O Digital Business ecosystem, outra experiência interessante nessa área, deve ter bebido nessa fonte.

Leo,,

Small is Beautiful

Habermas e mestrado

Semana passada fui falar com Sergio Amadeu sobre um possível mestrado. Ainda não entendi muito bem o por quê, mas estou com vontade de fazer um mestrado e, como estou há um tempo longe da faculdade e não tenho lá um grande histórico acadêmico, fui falar com ele pra ele ajudar com as minhas idéias.

Primeiro tinha dúvidas se minhas idéias, ou insights como ele chamou, eram interessantes/relevantes ou não passavam de obviedades ou simplesmente viagens.

Depois queria saber ser era um tema focado o suficiente e se ele conhecia algum professor que pudesse me orientar.

O papo foi muito bom, Serginho foi muito apreensivo, ouviu bem e me orientou legal. Por fim me recomendou que lesse Habermas. Mais especificamente “Mudança estrutural na esfera pública”. Essa leitura, segundo ele, vai ser a prova de fogo pra ver se eu vou querer mesmo encarar a bronca.

Já comprei o livro e estou começando a ler. Devo ir postando aqui minhas impressões.

Pra compartilhar, aqui vão uns rabiscos sobre meu tema de mestrado:

. O Fim da credibilidade dos meios de comunicação
A internet está cheia de mentiras, de informações erradas e etc. A internet não tem credibilidade nehuma, e isso é bom. Bom porque, ainda hoje em dia, os meios de comunicação tradicionais carregam uma credibilidade cristalizada em si mesmos. “Passou na TV é verdade”. A internet tende a levar a credibilidade de volta para as pessoas. “Eu confio no que tal pessoa escreve”, ou mesmo, “eu confio em tal site…”. Nunca: “eu confio na internet”. Hoje, não interessa quem fala, estando nos meios de comunicação tradicionais, têm credibilidade (falando de público em geral). – esse tema tem muitos desdobramentos… como a publicidade roubando a credibilidade do jornalismo.. etc…

. O receptor ativo
Para esse novo modelo de comunicação funcionar, não basta uma multiplicação de produtores (o que já está acontecendo). Tem que haver uma mudança de postura dos receptores. Quero falar do receptor ativo não só como o cara que agora tb tem a oportunidade de ser emissor, mas do cara que, para ser receptor, tem que fazer um movimento em busca daquilo que ele vai receber. As coisas não chegam até ele mais em um horário certo, sempre no mesmo canal. É preciso que as pessoas aprendam como ir atrás do que querem. É preciso que as pessoas criem suas próprias redes de confiança, baseadas nas coisas que elas querem… Indo mais fundo. É preciso que as pessoas saibam o que elas querem.

. Impessoalidade x Pessoalidade
Ao contrário do que muitos pensam, de que a popularização da internet e dos meios de comunicação p2p vai fazer com que as pessoas não saiam mais de casa, façam tudo pelo computador, virem seres cada vez mais sedentários e entreguem suas relações sociais sempre a intermediação da tecnologia, queria abordar que vejo um movimento contrário:
1. como no tema sobre a credibilidade dos meios, vejo um movimento para relações mais pessoais na internet do que em qualquer outro meio (troca de arquivos p2p, redes de confiança, etc.)
2. Do ponto de vista da produção cultural, por exemplo a música, vejo uma maior valorização da performance ao vivo. As músicas em formato digital tendem a estar disponíveis para quem quiser na rede. Os músicos serão menos valorizados por sua produção em estúdio do que por sua performance ao vivo. A experiência real de ver alguém cantando será muito mais valorizada com a banalização do acesso a gravações. Isso já é realidade com músicos que ganham a vida de shows e disponibilizam suas músicas na internet. Jorge Furtado, quando perguntaram pra ele o que ele achava de saber que tinha gente assistindo ao filme dele em casa, antes da estréia no cinema, disse que não se importava. “Não é isso que eu faço. Cinema implica em a pessoa sair de casa, se deslocar, entrar numa sala, com uma tela grande, escuro, sistema de som, e se entregar por duas horas a uma experiência”…

. Muita informação causa desinformação?
Essa é a grande crise do pessoal de comunicação hoje em dia. Como fazer com tanta informação que tem na internet?? Queria explorar a questão do receptor ativo aqui, mas também o papel dos agregadores, as pessoas que vão filtrar tanta informação e se tornarão _nós fortes_ da rede. Algo como os DJs, que selecionam músicas, mas pra todas as áreas: fotos, noticias, informações, videos, etc… (alguma coisa sobre isso aqui no blog do ff: http://metareciclagem.org/fff/?p=3444

Leo,,

Habermas e mestrado

Ministério Público quer fechar sede do Google no País

Notícia completa no Estadao.com.br

O
escritório da empresa no Brasil poderá ser fechado, caso o Google
Brasil continue se recusando a fornecer os dados de 29 criminosos
cadastrados no site de relacionamentos.

E
a atitude do Ministério Público Federal não ficou só nisso. Em parceria
com a ONG Safernet, que defende os direitos humanos na internet, foi
elaborado um relatório bastante detalhado sobre as páginas do Orkut que
veiculam conteúdo impróprio – pornografia infantil, neonazismo,
incitação a crimes, maus-tratos contra animais, homofobia e
intolerância religiosa são algumas das denúncias que constam do
relatório.

(Pra contextualizar com o que vem rolando em outros países. Na China, o Google bloqueu acesso a alguns sites pra poder entrar no país, mas isso não safou de também ser bloqueado depois)

Essa discussão dá pano pra manda…. Google é processado pelo que seus usuários fazem… LimeWire é processado pelo que seus usuários fazem, KazAa é processado e paga uma nota preta

Na minha modesta opinião. O futuro aponta para um cenário onde, para se fazer o que se faz com todas esses serviços (google, gmail, orkut, kazAa, etc) não dependeremos de empresas e serviços comerciais (ao menos no que se refere a software…). Mesmo em relação a infra-estrutura (servidores, por exemplo), o p2p ainda está engatinhando e creio que infra-estruturas descentralizadas se desenvolverão muito nos próximos anos.

Nesse cenário, não importa que serviço (software ou rede) se usa, mas sim o protocolo, ou seja, que língua se fala. Todas as redes se cruzam em um grande Xemelê.

Essa sensação vai de encontro a primeira impressão que eu tive do orkut, quando alguém o descreveu pra mim: “é um lugar onde cada um tem sua pagina, vc conhece pessoas que tem interesses em comum com o seu, troca ideias, etc…”. Na época eu pensei, “ué, mas isso não é a internet?”…

E viva a descentralização.

Leo,,

Ministério Público quer fechar sede do Google no País