Chile, Bolívia e Peru

Este é o diário de bordo de minha viagem pelo Chile, Bolivia e Peru em janeiro de 2004. Peço desulpas pelos acentos, pontuação e reros de digitacao, é que os teclados lá eram malucos e estava sempre na pressa… Dessa viagem tenho algumas fotos que posso e vou colocar aqui, então ficam duas coisas a fazer: pôr fotos e revisar o texto.

Parte 1 – Chile – Santiago e Carona para o norte
Santiago é uma cidade europeia. Essa é a impressao que nais ne narcou.
Empatado em primeiro lugar nas impressoes sobre a ciadade vem a cordilheira. Santiago é rodeada por montanhas, de todos os lados. Ainda assim é perfectamente e extrañamente plana.

A cordilheira é onipresente. Se pode ver praticamente de todo lugar. E mesmo dos lugares que nao se pode ve-la, se pode sentir sua presenca. Talvez como nas cidades praianas, onde o mar sopra sua brisa até os cantos mais escondidos no interior da cidade.

Tambem me chamaram a atencao muitas manifestacoes nos muros da cidade. O una forma de pequenas pichacoes, como. Chile, mi nuevo país, ass, Bush.. o una forma de pequenos posteres. Um deles incitava as pessoas a nao comemorarem o natal por se tratar de uma festa capitalista e consumista.

Passei dois dias em Santiago. No terceiro dia de manha peguei um onibus a Viña del Mar. Fiquei mais dois dias em Viña. Cidade pequena, muito bonito, tao europeia quanto Santiago.

O brasileiro que estava no meu quarto, Steve, conheceu um casal (um chileno e uma brasileira que vive no Chile ha muitos anos). Esse casal nos levou para conhecer muitos lugares. Um deles, um restaurante tradicional em Valparaíso, para comermos Chorrillanas (batata frita, cebola com ovos e carne) Muito bom.

Tambem nos levaram a Reñaca, bom lugar para pegar uma praia.

Aquí vale dizer que no Chile nao se pode vender cerveja na praia! Na verdade, nao se pode beber em qualquer lugar publico, assim como nao se pode andar sem camiseta na rua. Algunas coisas sao bem extrañas aquí mesmo, acabo de descubrir que um grande asunto agora no Chile é sobre a Lei de Divorcios, que eles nao tem!! Esta sendo aquela discussao.. será que é certo se divorciar ou nao
No terceiro dia de manha parti em directo a La Serena. Dessa vez decidi ir de carona.

Peguei um onibus ate Concon, onde ha um trevo para uma estrada que desemboca na Ruta 5, ou Panamericana, estrada que cruza o Chile todo de norte a sul.

Andei alguns quilometros, mas ninguem parou. Andei mais ate cegar a um entroncamento, onde a estrada em que eu estava se juntava con outra mayor.

Parei. Nao fazia mais sentido andar. A cidade mais proxima ficava muito longem e nao chegaria la de qualquer maneira

Demorou. Mas o primeiro carro parou. Um homem de seus trinta e poucos anos disse que me deixaria perto da Ruta 5.

Conversamos um pouco e a coisa ia muito bem ate ele dizer que achava meu rosto muito bonito. como un angelito. Mas lo digo con todo respecto.

Bom.. ignorei, passei para o proximo asunto e a coisa continuou bem. Em algum momento dissemos alguna coisa engracada, ele riu com as maos para o alto e, no fim, deixou sua mao directa cair sobre minha perna. Deu uma apertadinha muito de leve e tirou,

Tenso.

Aí eu fiquei tenso.

Só queria descer logo do carro.

Foi quando percebi que ele estava me levando diretamente para a Ruta 5m nao ia mais parar antes como havia dito.

Mas eu nao disse nada. So queria que aquilo acabasse logo. Nao queria preguntar e ouvir ele dizer  Ah, é que gostei de voce entao resolvi te levar. Só queria evtar embarassos.

Ficamos em silencio.

De vez em quando ele loaba para mim e dava uma risada sem graca. Eu me concertaba oara nao olhar, nao rir, nao nada

Finalmente cegamos. Ele me deicou na Ruta 5 e se foi. Fiquei embaixo de um viaduto fazendo sinal. Desta vez nao demorou menos e outro carro parou.

Dois homens, entre seus 40 anos. O que dirigia levava um paleto pendurado no banco e vestia camisa e gravata. Usava oculos escuros, uma luvinha de couro para dirigir, daquelas que as pontas dos dedos fica para fora e falava de um jeito assim muito gay! Nao é possivel! Otro Maricón!!

Durante a conversa ele me mostrou a mao e disse que era casado ( mas nao dava para ver a alianza por causa das luvinhas gay), e contou algunas coisas que fez com sua mulher nos ultimos dias. E davam risada. A impressao que eu tive foi a de que, na verdade, ele estava sempre se referindo ao cara que vinha no banco do passageiro

Foi tranquilo, me deixaram perto da entrada para uma cidade chamada La Ligua.

Enquanto estava parado desceu outro mochileiro de um carro, nos encontramos e andamos um pouco juntos.

Roberto era chileno. E ia nao sei para onde catar ossos de animais para fazer artesanato.

Andamos mais um pouco, mas vi que seria muito mais difícil conseguir uma carone em duas pessoas, enato me despedi e parei na estrada.

Nao demorou e parou um señor em uma caminhonete vérmela, cheia de tranqueiras na carrocería. Menos de um quilometro depois acenei para Roberto, pedindo carona.

Essa hora eu ja estava faminto. Tinha comido um bom café da manha no hotel em Viña del Mar, mas ja eram 4 horas da tarde e eu nao tinha comido ou bebido nada.

QUando o señor ia me deixar, perto da cidade de Pichidanguym perguntei se ele conhecia algum lugar para comer na beira da estrada. Ele me deixou perto do restaurante Las Rocas, disse que faziam um otimo marisco e que nao era caro.

Era uma parada de caminhoneiros, um restaurante no meio das rochas, perto do mar, com um enorme patio para os caminhoes manobrarem.

Diferente do que esoperamos de uma parada de caminhoneiros, era um restaurante muito bem arrumado, quase chique, com garcons bem vestidos, servico a la carte

Realmente nao era caro. Mas era muito mais do que eu planejava gastar em uma refeicao.

Entao la estava eu pedindo carona e comendo mariscos em um excelente restaurante hehehe

Deixei o restaurante e voltei a estender meu dedo. Finalmente um caminhao parou, e estava indo diretamente para La Serena. Pronto! Consegui!

O caminhoneiro era um cara engracado. Falava muito e, obviamente, era muito difícil entender o que ele dizia.

Mas de quelquer forma conversamos bastante, bazucamos no pandeiro, falamos besteira Foi tranquilo, a pesar de nao ter sido tao confortable e de o balde de marisco que eu tinha comido balancar um pouco no estomago.

O povo chileno se mostra bastante orgulloso de seu pais. Isso ficou evidente quando disse para o caminhoneiro que o Chile estava sendo caro para mim. Ele primeiro me olhou com uma cara de espanto. Depois comecou a bater frenéticamente na directo e a gritar sorrindo:  O que é bom é caro! O que é bom é caro!!.

Parte 2 – Atacama
Cheguei em La Serena ainda com dia claro, o que nao quer dizer muita coisa ja que o sol só se poe por volta das nove horas.

Bati perna para achar o Hostal Casa Maria, excelente! Dormi esgotado.

Passei o dia seguinte todo na praia, tostando com uma Suiça e uma Boliviana.

Estava no hostal com mais 3 casais. Um alemao, um canadense e um holandes. Com esse casal alemao, ainda nao sabia, mas passaria os proximos 11 dias.

Na noite do outro dia peguei o onibus para San Pedro de Atacama um pouco ardido do sol.

Amanheci no montanhoso deserto do Atacama. Do alto avistei San Pedro, um oasis no meio do deserto, lugar muito agitado pelo turismo: bares, restaurantes e pousadas muito bem ajeitadas ocupam as ruas de terra do vilarejo.

Acabei econtrando no onibus, de Calama a San Pedro, o casal de alemaes que estava comigo em La Serena: Fabian e Nina. Ficamos no mesmo hostal e fizemos todos os passeios juntos. Foram dias de turismo puro.

Fomos de bicicleta ao Vale de la Luna, q vista…

Em um outro dia saimos as 4 da manha em tour.. visitamos uns Geisers. Um frio de congelar ao amanhecer e aquelas águas borbulhando a mais de 100 graus… em um lugar tem ateh uma piscina que se pode nadar… com a agua a uns 30 graus acho… o problema eh sair.. eu nao me arrisquei..

Saimos de la e seguimos para um canion onde havia umas cachoeiras. Isso mesmo. Cachoeiras no meio do deserto, com cactos em volta e tudo mais… aih o sol já estava alto e dava para nadar. Depois ainda fomos para uma estacao de agua termais. Era a nascente de um dos rios que ia acabar naquelas cachoerias. Almocamos e ficamos boiando na agua quente, no meio de um imenso vale, em pleno deserto.

Ainda visitamos a Mina de Cobre de Calama, Chuchicamata. O maior buraco que o home jah fez na terra.. impressionante.

Na manha da terca-feira, dia 13, saimos para um tour de 3 dias, nos altiplanos bolivianos, rumo ao salar do Uyuni.

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A historia de Joao

No mesmo hostal em que estava, havia dois brasileiros mais velhos. Nao sabia o que eram.. se eram amigos, irmaos, parentes… enfim… e o estranho é que as vezes pareciam ter uma relacao de empregado-patrao. Joao, jah de cabelo grisalho, era quem controlava o dinheiro, e pedia (ou mandava) o outro ir buscar as coisas: cerveja, comida, temperos, etc…

E esbanjava dinheiro.

Logo que o conheci, quando eu estava tentando ligar para o Brasil, me ofereceu para usar seu telefone celular internacional pode usar.. nao tem problema…. Ele estava vindo do Brasil, ia voar para Santiago, depois Argentina e Uruguai…

No dia antes de partirem, estavam muito animados e começaram a pagar cerveja e vinho para nos, alem de oferecer um jantar. Ficamos conversando durante muito tempo e Joao contava que já conhecia 60 paises no mundo, que tinha ido na maioria a trabalho. O engraçado era que ele nao falava uma palabra de ingles e arranhava um portuñol muito pior que o meu. Finalmente Fabian pergunto em que ele trabalhava entao, para viajar tanto assim. Ele ficou meio sem graca, disse para mim fala ra ele que trabalho com planejamento regional. Disse que jah tinha trabalhado para ONU, para empresas, para governo… a coisa ficou mal explicada. Quando Fabian comecou a conversar alguma coisa em Alemao com Nina, puxei a conversa em portugues com Joao:

– e aih? Mas e agora? Vc ta trabalhando onde?
– Ah, prefiro nao falar… nao tah bom assim? A gente aquí, falando de igual para igual, ninguem sabe quem eh quem…

Um pouco antes disso, seu amigo foi tentar explicar o que era.. nao consegui ouvir direito, porque falou muito rapido, soh peguei a palabra governo, logo Joao cortou ele e disse No habla nada!.

Ele foi a conzinha.. e foi nesse meio tempo que olhei pela porta do quarto deles e reparei que só havia uma cama de casal. As coisas comecavam a fazer sentido.

Qd ele voltou, comecou a se abrir. Alguns trechos da conversa…:

– Voce nao tem noçao. Eu poderia chamar um jatinho aquí para me pegar e me levar a Calama…
– Ele eh meu motorista!

– Já pensou!? Ter um caso com seu motorista

– Olha só onde eu estou ficando! Você me viu ontem cozinhando! Como eu estava feliz! É incrivel para mim estar aquí agora, conversando com um brasileiro comum…

Ele é do governo. Nao se chama Joao, preferi nao falar o nome verdadeiro. Mas depois chequei tudo na internet e é tudo verdade. Inclusive os trabalho para ONU e etc…

Aparentemente ele estava numa crise… Voce nao sabe como é… voce muda a vida de tantas pessoas e elas nem sabem… … Eu estou na corte!

(Putz… para quem é da Puc e teve aula com o Jorge Rafael pode imaginar as coisas que me vieram a cabeça)

Conversei um pouco com ele mas nao pude deixar de dizer: Desde que o dinheiro que está pagando essa cerveja seja legal, tudo bem…, Claro, claro.. meu trabalho… que é isso.. olha o quarto que eu estou dormindo.. vc acha que qualquer um que tem dinheiro e poder fica num lugar desses… dobre sua lingua!

Ele falou isso de um jeito calmo. Nao ficou nervoso. Parecia mais ofendido e magoado…
Como disse.. depois fui checar tudo na internet… rapidamente.. e o pior é que ele parece um cara legal… Depois vou investigar mais a fundo…
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Parte 3 – Bolívia

(um parenteses.. no ultimo e-mail esqueci de dizer que o Joao estava viajando escondido.. por isso que estava em um hotel barato.. e por isso andava com o celular a tira-colo tiha deixado o numero na caixa-postal do seu celular de trabalho, para o caso de emergencias)

Saímos de San Pedro de manha em um micro onibus. Depois de passar no controle de imigracao do Chile, seguimos pela estrada por mais alguns minutos até que o motorista simplesmente entrou a esquerda no meio do nada. E seguiu até encontrarmos uma trilha de carros no meio do deserto. Essa é a ligaçao com a Bolivia nessa regiao! Cegamos a uma fronteira no meio do nada carimbamos nossos pasaportes, trocamos alguns pesos chilenos por Bolivianos e seguimos. Cegamos a um ponto de encontro onde nos dividimos em jipes. No meu jipe fomos eu, o casal de alemaes (Nina e Fabian), mais um español, um alemao e o motorista/guia/cozinheiro/mecanico, Anastasio.

No primeiro dia passamos pela Laguna Verde e Laguna colorada. Sao lagoas no meio do altiplano Boliviano, a mais de 3500m de altitude. A laguna verde é absurdamente linda, e a laguna colorada, alem de linda é povoada por, sem exagero, millares de flamingos!

Nos altiplanos nessa epoca faz um clima agradable de manha, com muito sol. Mas depois do meio dia o vento comeca a soprar e o frio comeca a pegar. A noite o vento é muito forte e gelado, nao se pode ficar para fora do alojamento.

No segundo dia passamos por mais lagunas, mais flamingos, desertos, valle de las Rocas. Todos lugares indecritivelmente lindos. Tanto que nem vou perder meu tempo tentando descreve-los, assim como duvido que as fotografias consigam mostrar metade da beleza do lugar.

Foram 3 dias incriveis. Acordavamos cedo, por volta das 7, tomavamos um café da manha com cha de coca, pao com manteiga, as vezes um ovo. Subiamos no jipe e seguiamos o roteiro, parando em lugares pre-programados ou em qualquer outro que o grupo quisesse. Almocavamos em algum lugar uma comida fria: geralmente tomates e pepinos, atum e pao, ou arroz com legumes. A noite tinhamos comida quente. Uma sopa, um macarrao ou algo assim

No ultimo dia a grande atracao. O Salar de Uyuni.

Segundo consta foi uma lagoa (ou um mar) que se secou. Sao 17000 km2 de sal. Um deserto totalmente plano e branco.

Nessa epoca do ano, com as chuvas, ele chega a ficar inundado em algunas partes. Quando nos aproximamos a impressao que tinhamos era a de estar guiando em directo ao mar. O motorista segui em frente e entramos, parecia que estavamos andando por cima da agua do mar. Havia apenas 5cm de agua, e seguiamos retos, em uns 30km/h contantes. Nao se via nada em volta a nao ser um gigantesco espelho dágua. Olhando para o horizonte nao se podia diferenciar o ceu do chao e os olhos doíam tamaña a claridade.

Paramos em um lugar seco. Obviamente tive que experimentar: Peguei um pedacinho de chao e pus na boca. Puro sal.

Visitamos uma ilha no meio do salar, e tambem um museo, que costumava ser um hotel, totalmente de sal.

Cegamos a Uyuni lá pelas 2 da tarde. Pegamos um trem a Oruro as 5. Chegamos as 4 da manha e ja pegamos um onibus a La Paz.

Em La Paz fiquei hospedado com meu irmao, Duda, que estava trabalhando la. Aproveitei para lavar roupa, dormir numa boa cama e comprar umas bugigangas. Bolivia é realmente muito barato.

La Paz é uma bagunça. Centenas de taxis e lotaçoes circulam nas ruas. Nao ha o menor respeito aos pedestres (muito menos do que no Brasil). Todo mundo buzinando, barraqueiros gritando. Imagino que deva parecer uma dessas cidades grandes asiáticas.

O que me chamou atençao na Bolivia foi a cultura. A cultura pre-colombiana ainda resiste atè os dias de hoje. O idioma nativo da regiao, Aymara, tem mais de 3 milhoes de falantes.

Depois de La Paz segui para Copabana, as margens do lago Titicaca. Cidadezinha linda, parece uma dessas vilazinhas de pescadores do Brasil. Só que é cercada por morros verdes e pequenas plantacoes. Fiquei de boca aberta.

Peguei um barco para a Isla del Sol e dormi uma noite lá. Facinho cegar lá com a mochila e ter que subir uma escadaria gigantesca. Lembrando que estamos a mais de 3500m de altitude e a respiracao fica debilitada. Mas valeu a pena. Peguei um hostelzinho com uma vista sensacional e no dia seguinte descia a uma praiazinha. Se fui até o lago, tinha que mergulhar. Aguentei ficar uns 2 minutos na água gelada. Afe

Depois disso, rumo a Cusco e ao caminho sagrado que levava os Incas de Cusco a Machu Picchu…

Parte 4 – Machu Picchu – a trilha Inca
É isso aí. Demorou mas chegou… sabe como é.. quando se chega em São Paulo você é logo absorvido… Mas é bom manter na cabeça que São Paulo é só mais um lugar, como qualquer outro destes pelos quais eu passei. Isso faz muito diferença.


Cheguei em Cusco e encontrei meus pais e meu irmão que resolveram conhecer Machu Picchu também.

Cusco é a porta de entrada do turismo para as ruínas da cultura Inca. Era uma das maiores cidades no tempo dos incas. Engraçado que, ao mesmo tempo, outra atração turística sejam as imensas igrejas de pedra contruídas pelos espanhois em cima de cada templo Inca que encontraram! E há pelo menos uma dezena delas…

Arranjei meu ingresso em um tour para fazer a caminhada de 4 dias a Machu Picchu e parti no 3o dia… que caminhada…

1o dia

Pegamos o ônibus as 8:00 da manhã rumo ao começo da trilha.

No caminho passamos pelo vale sagrado dos Incas e por algumas cidades aconchegadas no leito de vales verdes. Que lugar para viver!

Nessa região o idioma oficial é o Ketchua, herança Inca.

Tivemos um atraso porque estavam concertando a estrada e quando chegamos na entrada da trilha já tivemos o almoço.

Começamos a caminhar em direção a mais um dos muitos vales da região. Na trilha cruzamos com vários grupos. Na alta temporada, em julho, dizem que 500 pessoas iniciam a caminhada por dia. Como ela dura 4 dias, temos 2000 pessoas percorrendo os caminhos sagrados dos Incas todos os dias.

No nosso grupo há 10 pessoas, mais o guia. Para isso temos 10 carregadores, que levam as barracas, todos os utensílios de cozinha (incluindo botijão de gás e um fogãozinho), comida, uma barraca grande que usamos como refeitório e “otras cositas mas”…

Durante o caminho somos ultrapassados várias vezes por carregadores que chegam a levar mais de 30kg nas costas. E não há mochilas. Eles simplesmente amarram tudo nas costas, em sacos com alças improvisadas. Quase como burros de carga.

A idéia é que eles cheguem no lugar do acampamento antes dos turistas e dos guias, para deixar tudo pronto: barracas armadas e, as vezes, um cházinho quentinho.

Andamos até o lugar do acampamento praticamente sem parar, a não ser perto de umas ruínas Incas ( que o guia me corrigiu dizendo que não eram ruínas mas “complexos arqueológicos”). O guia explicava tudo muito bem e um lugar era mais impressionante que o outro, tanto pela história, como pela beleza. É interessante também perceber que o guia, várias vezes, se referia ao povo Inca como “nós”. Esta é a mesma sensação que eu tive na Bolívia: a de que a cultura pre-colombiana nesses países ainda está viva. Presente. Mesclada. Talvez como a cultura africana está no Brasil.

2o dia

Nenhuma mochila é leve o suficiente depois de 3 horas subindo.

É o dia mais difícil.

Subimos de 2850m a 4200m de altitude.

Logo no começo havia um check-point. Lugar onde a autoridade local checa nossos ingressos e verifica o peso que os carregadores estão levando. O máximo permitido é 20kg de carga mais 5kg de coisas pessoais.

Todos tinham mais, e se justificavam dizendo que o que estava fazendo exceder o peso eram suas coisas pessoais, não a carga.

Segundo a autoridade, eles controlam o peso por dois motivos: 1- Para que os carregadores não estraguem a trilha ao caminhar. 2 – Para as agências não abusarem dos carregadores… Em teoria, se algum deles estiver com mais peso do que o permitido, a agência de turismo recebe uma notificação. Se for reincidente pode ser suspensa. Se isso acontece ou não… não sei…

E dá-lhe subida. Rampas íngrimes e escadarias de pedra intermináveis. Paramos para almoçar no meio da subida. Boa comida. Um tipo de strogonoff de frango bem picante.

Comemos e saímos para caminhar de barriga cheia. Nem um pouco confortável.

Mais pelo menos uma hora de subida sem parar. Depos de um tempo já se podia ver a silhueta das pessoas lá no topo, há 4200m. Baixava a cabeça e continuava subindo. Depois de muito tempo olhava novamente, e o topo parecia mais longe…

Chegamos ao topo e demos uma respirada. Esperamos todos chegar e ainda encaramos uns 50 minutos de descida sem parar.

Chegamos no acampamento que era perto de um rio e de vários corregos. Estava sol e eu queria muito tomar um banho, já estava planejando como faria pra me enfiar numa mini queda dágua (de uns 10cm de altura) quando descobri que tinha um chuveiro numa casinha.

Fazia sol mas não muito calor, já que estávamos a 3800m de altura. Agora, imagina a água desse rio que desce lá de 4000m… Entrei no lugar onde ficava o chuveiro. Olhei pra ele. Ele olhou pra mim. Eu sabia que o que ia sair dali não ia ser fácil. Na hora até pensei em tirar uma foto daquela boca cheia de furinhos prontos a despejar pedrinhas de gelo em cima de mim. Mas enfim, estava com o corpo ainda quente da caminhada e com o suor acumulado de 2 dias carregando peso. Abri o chuveiro de uma vez em cima de mim.

AAAAUUU!

Me molhei gritando e pulando dentro do box.. de vez enquando ouvia algúém dando risada do lado de fora.

Dor.

Sentia minha pele queimar.

Desliguei.. me ensaboei e voltei pra debaixo dágua… não era possível ficar muito tempo.. doía… foi o banho mais gelado da minha vida… saí com a pele queimando, mas foi muito bom..

3o Dia

Em algum momento eu disse que o 2o dia era o mais difícil?? Não tenho tanta certeza não…

No 3o dia, depois de algumas subidas, descemos bem mais de 2 horas sem parar. E descer talvez seja mais cansativo para as pernas do que subir.
As paisagens só podem ser vistas nas paradas para dar uma respirada. Durante a maior parte do tempo só o que se vê são os degraus de pedra no chão, seus pés, o lugar onde vai dar o próximo passo… as vezes a mochila da pessoa da frente.

Descemos até um camping onde todos os grupos se encontram. Há um bar, cerveja, música e tudo mais. Já é bem perto de Machu Picchu. Um Australiano que estava com a gente tava feliz da vida porque era o dia da Austrália, e andou o dia inteiro com um Koalinha no dedo mindinho. Pagou cerveja pros carregadores e encheu a cara com outros australianos lá..

Não dormi bem nenhuma noite. Sempre frio, ou chão com pedras… Dessa vez parecia que ia ser melhor, mas foi a pior de todas. Choveu muito durante a noite e não consegui mais dormir direito depois que acordei com meu cotovelo molhado.

Fiquei tomando conta pra ver se não era muita água, se não ia molhar as coisas.. dormi muito mal. Acordamos as 4 da manhã para chegar a Machu Picchu antes dos ônibus turísticos.

4o dia

A caminhada era fácil. 2 horas planas, ou descidas leves. Na verdade, teve até um trânsito na trilha, já que todos os grupos saíram bem cedo para tentarem ser os primeiros.

Chegamos a Machu Picchu quando as nuvens estavam se esvaindo… lindo. Não tenho muito o que dizer. É preciso conhecer. É uma cidade inteira, construída em um lugar incrível. Fizemos um tour pela cidade. Uma pena que estávamos todos com a perna doendo muito, não conseguimos ficar muito mais tempo, precisávamos descer para Águas Calientes e arranjar nossa viagem de volta a Cusco..

Depois disso mais uma noite em Cusco. Uma luta para conseguir pegar meu ônibus pra Lima (teve uma greve em geral em Cusco). Uma tarde e uma noite em Lima e, de repente, o tempo acabou.

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Um comentário sobre “Chile, Bolívia e Peru

  1. JOÃO disse:

    Boas dicas principalmente UYWNI e NAZCA … vou mudar m/ roteiro por êsses dois lugares . . . BHZ->SCRUZ–>SUCRE/POTOSI/WYUNI/ORURO/TIWANACO/TITICACA/PUNO/AREQUIPA/NAZCA/CUZCO–>LAPAZ/BHZ
    oBRIGADO,
    JLL

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