Archive | fevereiro, 2007

A internet é de quem?

13 fev

Por favor, habilite o Javascript e Flash para assistir este vídeo Flash .

Esse vídeo aí em cima tem uma linguagem bem legal. Apresenta muito bem como é (ou como pode ser) a internet. Alguns chamam isso de web 2.0, eu sou do time que fala simplesmente web.

Esse termo “2.0″ surgiu da idéia de uma internet mais participativa, onde o conteúdo fosse criado pelos usuários (vide YouTube), que tem mais serviços (Agendas, wikis, documentos…) e mais redes sociais (orkut, myspace…).

Mas quando olhamos de perto, podemos ver esses “novos recursos” como nada além de uma evolução, constante e interminável, do que é a internet. Além disso, não existem critérios tão claros para se definir o que seja web 2.0. Trocando em miúdos, é apenas um jargão jornalístico e comercial.

Mais do que isso, colocar um número de versão na internet inteira, é classificá-la como se ela fosse um produto do qual você pode agora desfrutar, e não um processo do qual você faz parte. Por trás de um discurso de democratização da produção de conteúdo, está escondido o fato da centralização da propriedade desse conteúdo e dos meios de compartilhamento.

Basta perceber que todo o conteúdo publicado no YouTube é de propriedade do portal. Quando o Google pagou US$1,6 bilhões de dólares pelo site, o que exatamente ele estava comprando? O que confere valor ao YouTube não é o software que foi desenvolvido, há muitos outros serviços semelhantes. O valor vem da produção e do trabalho dos milhões de “usuários”. Quanto eles (nós) ganharam nessa transação bilionária? Nada.

Existem experiências no sentido de dar recompensa financeira aos usuários, como o Revver. O próprio YouTube também já acenou com a intenção de adotar algum modelo semelhante. Mas iniciativas como estas não acabam com o principal problema do modelo defendido pelas empresas da web 2.0, que é a centralização do conteúdo.

Empresas como YouTube ou MySpace dependem de uma grande estrutura central e controlada para terem sucesso. Isso significa praticamente replicar o modelo ultrapassado de um grande centro provedor de conteúdo. É a réplica do broadcast em cima de uma estrutura com um potencial maior.

A natureza da internet é a de ser uma rede ponto a ponto (peer to peer, p2p) em que cada ponto pode se comunicar diretamente com outro. Isso que faz o compartilhamento de conteúdo em larga escala sem uma grande estrutura física centralizada ser possível.

Não é a toa que existe um combate massivo contra as redes p2p por parte de grandes empresas. A “falta de controle” é algo assustador…..

O jargão da web 2.0 aponta para uma internet mediada e controlada por grandes empresas que oferecem serviços e uma grande infra-estrutura centralizada (desnecessária quando se trabalha em rede p2p).

A descentralização da infra-estrutura só traz benefícios para a rede: evita gargalos e traz autonomia para os usuários. Experiências como a de conexão a internet sem fio descentralizada e colaborativa, vão nesse sentido. É preciso que seja mais explorada a capacidade da troca de informação diretamente “ponta a ponta”, que transcenda a troca de arquivos, para que a internet realmente evolua significamente.

Enquanto isso, fiquemos espertos com o canto da sereia.

A internet é nossa.

Windows Vista bloqueia até conteúdo legal

6 fev

Tomei contato com um artigo de PeterGutmann, sobre o “Windows Vista Content Protection”, ou, trocando em miúdos, os mecanismos de DRM embutidos na nova versão do Windows para evitar que conteúdos protegidos por direitos autorais sejam copiados ou, até mesmo, assistidos.

windowscorrentres.jpgO artigo traz uma extensa lista dos novos “recursos” que desativam várias funcionalidades do computador, fazem com que placas de vídeo e de som deixem de funcionar e pioram o desempenho da máquina como um todo.

O sistema de proteção de conteúdo do Windows só permite que conteúdo protegido seja reproduzido por dispositivos que tenham sistemas similares de proteção. Ou seja, se você quer tocar seu novo DVD, com o áudio ligado diretamente da saída digital SP/DIF do seu computador para seu reciever, você não vai poder, porque as saídas SP/DIF não dispõem de tal sistema de proteção de conteúdo e são bloqueadas pelo Windows. Você será obrigado a usar as saídas analógicas tradicionais, de pior qualidade.
O mesmo se aplica a vários novos monitores de Alta Definição que têm conexões que não são consideradas seguras pelo Windows e, portanto, não podem reproduzir conteúdo em Alta Definição.

Não importa quanto você pagou pela sua placa com saída SP/DIF ou seu monitor, você não poderá assistir conteúdo protegido usando tais dispositivos, mesmo que seu conteúdo seja original e você tenha pago por ele!

Os usuários avançados de áudio também podem ter problemas. A maioria dos produtores que usasm uma placa de som mais profissional, usam o ASIO da Steinberg, uma interface que faz com que as aplicações conversem diretamente com a placa de som, sem a interferência do sistema operacional. Isso serve para aumentar o desempenho e, principalmente, diminuir a latência nas gravações. Como no Windows Vista tudo tem que ser controlado, é bem provável que esse recurso seja desabilitado pelo sistema
Outra “incrível funcionalidade” da nova versão do Windows é a Diminuição da qualidade de Reprodução. Se você tentar assistir qualquer conteúdo protegido no seu computador, o Vista irá, deliberativamente, diminuir a qualidade do áudio e do vídeo antes de reproduzi-lo.

O artigo não deixa claro como o Sistema de Proteção reconhece um conteúdo protegido de outro sem proteção. Os usuários vão passar a ouvir suas antigas coleções de mp3 em baixa qualidade? E o que acontecerá em relação aos conteúdos liberados, por exemplo, sob uma licença Creative Commons? Escrevi um email pra ele e quando tiver a resposta publico aqui.

De qualquer maneira, pelo estilo de todas as outras medidas, tudo leva a crer que, para ser reproduzido adequadamente, todos os conteúdos devem ser registrados e ter mecanismos de DRM. Ou seja, na dúvida, qualquer arquivo seria taxado como inseguro e teria sua qualidade radicalmente reduzida ao ser reproduzido.

O artigo ainda sugere que grandes estúdios estariam satisfeitos com essas mudanças. Pequenos produtores que começam a produzir vídeo em Alta Definição têm grande dificuldade em ter acesso a todos os equipamentos para se manipular vídeos com essa qualidade. Com as novas restrições do Windows, seria ainda mais difícil produzir conteúdo que fosse considerado seguro, pois dependeria de equipamentos mais específicos e mais caros.

Além de ficar mais complicado de se produzir músicas e vídeos “tocáveis” pelo Vista, também será mais complicado se produzir jogos. Se um jogo não possuir uma classificação ESRB (que é muito cara de se conseguir), não entrarão no sistema de organização de jogos, o “Game Explorer”, e poderão ser bloqueados. Mais uma vez, a situação complica para os pequenos produtores.

Preços de Hardware também devem subir, já que para funcionarem no Vista, terão que ser desenvolvidos drivers específicos para cada hardware, ao contrários dos drivers unificados presentes hoje no mercado, que funcionam para vários modelos de um mesmo fabricante.

O artigo é recheado de dados técnicos, extraídos da própria documentação da Microsoft. Se você quer saber mais sobre o assunto, recomendo sua leitura.

Mais do que retrógrado
É interessante que esforços tão grandes (não só da Microsoft) para deter não só a pirataria, mas a livre circulação de produções independetes, aconteçam paralelamente ao surgimento ou popularização de soluções criativas, como a flexibilização do direito autoral e a difusão do uso do software livre.

Querer perpetuar um modelo de produção que não seja descentralizado é estar preso ao século passado. Parece que a Microsoft está assim. Uma pena por um lado. Por outro lado, quanto mais eles “apertarem o cerco” mais as pessoas conhecerão alternativas. Todo esse esforço pode acabar tendo um resultado muito diferente do que eles imaginam.

Parodiando os Titãs: Windows para quem precisa. Windows para quem precisa de Windows…